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Você sabe o que são Pancs? São as plantas alimentícias não convencionais

0 Comments 🕔17.jun 2026

As plantas alimentícias não convencionais são consideradas uma alternativa promissora para a agricultura familiar e urbana. E por conta disso, a Embraba acaba de lançar cultivares de hortaliças do grupo de plantas alimentícias não convencionais (Pancs) que já estão no mercado.

São elas a bertalha ‘BRS Tereverde’ e o caruru ‘BRS Ilekalu’. As novas cultivares ampliam a visibilidade das Pancs, grupo de plantas de alto valor nutricional que ainda não possui cadeias produtivas estruturadas.

A ‘BRS Tereverde’ é uma alternativa para a produção de hortaliças folhosas durante os meses mais quentes do ano. A ‘BRS Ilekalu’ se distingue pelo elevado teor de proteínas nas folhas e pela textura macia.

Após anos de pesquisa, as novas variedades chegam ao mercado com identidade genética conhecida, padrão de qualidade definido e orientações de cultivo validadas cientificamente.

Apesar do elevado valor nutricional e do potencial agronômico, as Pancs ainda têm participação limitada no mercado brasileiro e poucas cadeias produtivas estruturadas. Resultado de parceria público-privada entre a Embrapa Hortaliças e a Isla Sementes, as cultivares de bertalha e caruru buscam ampliar a oferta desses alimentos. Novos materiais desse grupo, como almeirão-roxo e vinagreira, deverão ser lançados nos próximos anos.

O pesquisador Nuno Madeira, responsável pelo desenvolvimento das sementes, afirma que a oferta dessas cultivares, aliada à indicação de sistemas de produção, deve ampliar o cultivo, a comercialização e o consumo das hortaliças não convencionais. “A expectativa é fortalecer a presença das Pancs na agricultura familiar e no contexto da agricultura urbana, seja em quintais produtivos, hortas domésticas ou escolares, para além do extrativismo e dos cultivos ocasionais ou regionais, como é o caso da bertalha no Rio de Janeiro”, diz.

Madeira ressalta que, além da oferta de sementes de qualidade, o lançamento contribui para dar visibilidade a um grupo de plantas que reúne espécies de alto valor nutricional e grande potencial para diversificar a alimentação. “Vale evidenciar que esse trabalho científico também reconhece e valoriza os conhecimentos acumulados por comunidades tradicionais ao longo de gerações”, complementa.

Nesse contexto, as Pancs oferecem vantagens para agricultores e consumidores. Para quem produz, representam culturas adaptadas a diferentes regiões e sistemas de cultivo, com manejo mais simples, menor demanda por insumos e produção durante boa parte do ano. Para o consumidor, essas espécies alimentares ampliam a diversidade de hortaliças disponíveis, oferecem alimentos nutritivos e facilitam o cultivo em espaços urbanos.

As Pancs também estão associadas à culinária tradicional de diferentes regiões e grupos culturais, integrando receitas e preparações transmitidas entre gerações. Muitas dessas espécies ocorrem de forma espontânea ou possuem consumo restrito a determinadas localidades, embora apresentem elevado potencial alimentar e nutricional.

A bertalha BRS TEREVERDE, é conhecida também como espinafre-de-malabar, é uma boa fonte de fibras, vitaminas A e C e minerais, especialmente cálcio e ferro. Outro diferencial é a durabilidade na conservação pós-colheita, pois suas folhas permanecem adequadas para o consumo por cerca de quatro dias em temperatura ambiente. A hortaliça pode ser consumida crua ou refogada e em preparações com carnes e ovos e outros vegetais.

A ‘BRS Ilekalu’ (Amaranthus cruentus) é a primeira cultivar de caruru selecionada especificamente para consumo como hortaliça folhosa. Nativo da América Central e da região Andina, o caruru apresenta ampla variabilidade genética, característica que exigiu um processo sistemático de seleção dos materiais.

“Foram realizadas diversas avaliações e, a cada ciclo, selecionamos as plantas mais saudáveis, vigorosas, produtivas e com características desejáveis, como folhas tenras e de maior tamanho”, relata Madeira. Um dos principais destaques da cultivar é o elevado teor de proteínas, que alcança 33,8% nas folhas.

Em relação ao cultivo, a ‘BRS Ilekalu’ destaca-se pela rusticidade e pela capacidade de adaptação a diferentes tipos de solo e condições climáticas, permitindo produção ao longo de todo o ano em regiões de clima quente. Nas regiões Sul e Sudeste, no sul de Goiás, no Distrito Federal e em Mato Grosso do Sul, o plantio é recomendado durante o verão, a partir de agosto e setembro até fevereiro e março.

Segundo Madeira, o alto vigor e a precocidade da cultivar permitem que a colheita das folhas seja realizada entre cinco e sete semanas após o plantio, quando elas estão com 25 a 40 cm de altura. Outro diferencial da ‘BRS Ilekalu’ é o florescimento tardio.

“Essa característica diferencia a cultivar de outros carurus considerados plantas invasoras porque o florescimento tardio permite fazer a colheita antes das plantas terem sementes viáveis, o que ocorre somente a partir de 90 dias. Terminada a colheita, é possível fazer a poda ou mesmo eliminar as plantas por meio de capina manual ou mecânica, antes da produção de sementes”, salienta.

O caruru deve ser consumido cozido, pois o preparo reduz a concentração de compostos naturais, como os oxalatos, que podem dificultar a absorção de alguns minerais pelo organismo. “O cozimento também melhora a digestibilidade e o aproveitamento dos nutrientes”, acrescenta o pesquisador.

Além das qualidades nutricionais, a espécie possui forte relevância cultural. Embora o termo amaranto seja frequentemente associado à produção de grãos, no Brasil o consumo das folhas possui identidade própria e recebe denominações regionais como caruru, nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, e bredo, no Nordeste.

Em virtude das características das Pancs, a recomendação é voltada para cultivos de base agroecológica ou de transição agroecológica. Madeira reforça que, para além do potencial de cada nova cultivar, a força das Pancs está na possibilidade de plantio integrado com outras culturas em um mesmo espaço de cultivo. “A parceria com a Isla Sementes é fundamental para oferecer cultivares de diferentes espécies e incentivar a formação de hortas biodiversas, especialmente em ambientes urbanos, domésticos e institucionais”, enfatiza.

“As novas variedades vêm para agregar valor ao nosso portfólio que já contempla outras espécies de Panc, como a capuchinha e a mostarda. Os clientes já estão familiarizados com a diversidade e a exclusividade dessa linha de produtos e, certamente, essas novas cultivares terão excelente aceitação”, observa o diretor de Planejamento Estratégico da empresa, Andrei Santos.

 

 

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