A qualidade do solo pode ser medida de acordo com a capacidade de absorção de água
A capacidade de absorção e condução de água é um dos indicadores de saúde do solo e de sustentabilidade dos sistemas produtivos. Estudo conduzido por pesquisadores da Embrapa Solos e da Embrapa Gado de Leite em um Argissolo Amarelo sob sistema de integração pecuária-floresta (IPF), no município de Valença, no Rio de Janeiro, identificou restrições ao fluxo de água. Segundo a publicação na revista Agrometeoros, essa condição pode elevar o potencial de escoamento superficial durante eventos de chuvas intensas.
O objetivo do trabalho, conforme o pesquisador Wenceslau Teixeira, foi avaliar a condutividade hidráulica saturada do solo em diferentes posições do sistema IPF, implantado na Fazenda Santa Mônica (Valença-RJ), onde há o cultivo de eucaliptos associados a pastagens de braquiária. As análises compararam a linha de plantio das árvores (renque), a projeção da borda da copa e a área central da pastagem.
Os resultados apontaram que a condutividade hidráulica foi considerada baixa em todas as posições avaliadas. O maior valor foi registrado na projeção da borda da copa dos eucaliptos, sendo cerca de três vezes superior aos observados no renque e na área central da pastagem. Conforme o estudo, a interação entre as raízes das árvores e da braquiária favorece a porosidade do solo nessa zona específica.
O pesquisador Fabiano Balieiro explica que, apesar do efeito observado na borda da copa, os valores globais ficaram abaixo da média para Argissolos brasileiros. A limitação está associada às características naturais do solo, como a presença de um horizonte argiloso e adensado em subsuperfície, além do impacto do pisoteio animal nas camadas superficiais.
Os sistemas de integração pecuária-floresta visam à diversificação e sustentabilidade produtiva, proporcionando conforto térmico animal, sequestro de carbono e melhorias biológicas. Contudo, o estudo demonstra que os benefícios físicos dependem diretamente das características originais do solo e do manejo. No Argissolo avaliado, o componente florestal isolado não superou as limitações estruturais preexistentes.
Os pesquisasdores recomendam a continuidade de pesquisas sobre a condutividade hidráulica em diferentes arranjos de plantio, espaçamentos e espécies, além da adoção de práticas mecânicas ou biológicas de descompactação e controle de erosão.
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