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O Brasil não tem armazéns suficientes para guardar a safra de grãos

0 Comments 🕔30.jul 2026

Essa é uma polêmica que se arrasta há anos, identificada a olho nu mas que nem os governos nem os próprios produtores tomam a iniciativa de solucionar o problema. É inexplicável a resistência do governo e de produtores para construir novos armazéns ampliando, assim, os gargalos na safra brasileira de grãos. Conab estima que a capacidade estática de armazenamento no Brasil é de 228 milhões de toneladas e a previsão de safra para 2026 deverá chegar a 360 milhões de toneladas.

A estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) é que a produção de grãos do ciclo 2025/2026 será de 360,1 milhões de toneladas, um acréscimo de 2,2% no comparativo com a safra passada. O portal Armazéns do Brasil, disponibilizado no site da Conab, indica uma capacidade estática no país de 228 milhões de toneladas.

A técnica da Conab, Denise Deckers, afirma que mesmo com essa disparidade entre produtividade e armazenagem, o Brasil possui condições geográficas favoráveis que viabilizam até três safras por ano de culturas específicas, como o feijão e o milho. Isso permite rotatividade nas unidades armazenadoras e abre vantagem competitiva perante os principais concorrentes. “O Brasil tem capacidade estática para abrigar tudo o que produz, porque diferentemente dos Estados Unidos e da Argentina, temos mais de uma safra por ano em momentos distintos e, desta forma, temos condição de abrigar uma safra, expedi-la e receber a seguinte”, explica.

Entretanto, para Deckers, não ter uma homogeneidade na distribuição dos armazéns nos principais polos produtores é o que dificulta a armazenagem de grãos no país. Ela exemplifica a situação com áreas críticas do Mato Grosso, maior produtor de soja, e do oeste da Bahia. “Não é incomum ver o produto depositado a céu aberto porque não há um local adequado para o armazenamento. É uma carência muito expressiva de unidades armazenadoras em regiões específicas do Brasil”, comenta.

Sobre a perspectiva da infraestrutura de armazenamento acompanhar as grandes safras, a técnica da Conab argumenta que desde a década de 1990 é notório o descolamento da curva entre a produção no campo e a capacidade estática dos armazéns. “Temos capacidade de aumentar a produção das lavouras em função dos melhoramentos genéticos e capacitação no manejo, mas ainda somos muito resistentes em investir na construção de armazéns”.

O incentivo do governo federal com a criação de linhas de financiamento para o aprimoramento e construção de novos armazéns seria uma solução para preencher a lacuna. Deckers, que também assume a vice-presidência da Associação Brasileira de Pós-Colheita (ABRAPOS), menciona que seria de extrema importância um financiamento para cerealistas e construções de armazéns em geral nos moldes do crédito rural, que é restrito a cooperativas e produtores associados.

“Esse investimento por parte do governo também iria estimular os agricultores a construir armazéns próprios em suas propriedades, e ter unidades armazenadoras na zona rural traz inúmeros benefícios, como melhores preços na comercialização, redução de custos com fretes, e geração de empregos, fazendo o setor do agronegócio girar no município”, enumera a especialista.

No dia 12 de agosto, Deckers abre o ciclo de palestras da 9ª edição da Conferência Brasileira de Pós-Colheita com o painel intitulado “Mercado, logística e infraestrutura para armazenagem de grãos no Brasil”. O evento, que será simultâneo com o XIII Simpósio Paranaense de Pós-Colheita de Grãos, é promovido pela ABRAPOS e realizado em conjunto pelas cooperativas Capal, Frísia e Castrolanda, acontece entre os dias 12 e 14 de agosto, no município de Carambeí/PR. Para mais informações, acesse cbp2026.abrapos.org.br.

 

 

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