Uso de uma enzima na alimentação de frangos permite reduzir proteína da ração promovendo economia sem prejuízo para o crescimento das aves
O experimento acompanhou 539 frangos machos da linhagem Cobb 500 durante os primeiros 21 dias de vida. As aves foram distribuídas em sete tratamentos, com dietas completas e formulações com diferentes níveis de redução de proteína e aminoácidos. O resultado do estudo abre caminho para formulações com menor uso de ingredientes proteicos, sem comprometer o ganho de peso e a conversão alimentar dos frangos. Outra possibilidade é a redução do custo da nutrição animal.
O estudo foi realizado pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), em parceria com a Quimtia Brasil, e indica que o uso dessa enzima na alimentação de frangos de corte pode permitir a redução dos níveis de proteína e aminoácidos da ração sem comprometer o desempenho das aves. A pesquisa avaliou a ação da Precizyon Pro 50, uma protease exógena desenvolvida para atuar sobre proteínas de origem vegetal e animal.
Na dieta de controle, a ração continha 23,55% de proteína bruta. Nas formulações com redução nutricional, os níveis passaram para 22,95%, no primeiro cenário, e 22,35%, no segundo. Na dieta com maior redução, foram utilizados 34,02 quilos a menos de farelo de soja por tonelada de ração. A lisina digestível, por exemplo, passou de 1,274% para 1,205% — uma diferença de 0,069 ponto percentual, ou 0,69 quilo por tonelada.
“O principal impacto econômico da estratégia está na possibilidade de diminuir o uso de ingredientes proteicos sem comprometer o desempenho das aves”, afirma o médico-veterinário e gerente técnico da Quimtia Brasil, Almiro Bauermann.
Para o produtor, a estratégia pode representar uma oportunidade de reduzir o uso de farelo de soja, uma das principais fontes de proteína utilizadas na alimentação de frangos e um ingrediente que exerce influência importante sobre o custo da ração. Com isso, a redução de sua inclusão pode gerar economia, especialmente em períodos de preços elevados.
Segundo o especialista, a tecnologia pode ser utilizada de diferentes formas, de acordo com o cenário da produção. Em momentos de alta valorização da proteína animal, o produtor pode buscar maior produção utilizando a mesma quantidade de alimento. Já em períodos de custos elevados ou de menor remuneração pelo frango, o objetivo pode ser reduzir perdas e preservar a margem da atividade.
“Isso significa que as aves podem ganhar mais peso não porque comeram mais, mas porque podem aproveitar melhor o alimento consumido”, explica. índice que mostra quanto de ração é necessário para produzir um quilo de ganho de peso — passou de 1,232 para 1,181 no tratamento com dieta completa e suplementação enzimática.
A melhora representa, numericamente, 51 gramas a menos de ração para cada quilo de ganho de peso das aves. “Em uma projeção direta, esse resultado equivale a 51 toneladas de ração economizadas para cada milhão de quilos de ganho de peso produzido”, ressalta o gerente técnico da Quimtia.
A Precizyon Pro 50 já está disponível comercialmente para uso em rações de aves, suínos e peixes. O produto, registrado no Ministério da Agricultura e Pecuária, possui recomendação de inclusão de 50 gramas por tonelada de ração para aves e suínos, ou conforme a orientação do nutricionista responsável. “A enzima não substitui o planejamento nutricional, mas pode ajudar a ave a aproveitar melhor a proteína disponível. Com a formulação correta e o acompanhamento de um profissional, essa maior eficiência pode se transformar em redução de custos ou em aumento da produção de carne”, conclui Almiro Bauermann.
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