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Arroz cultivado na comunidade rural de Porto Marinho, no Rio de Janeiro, quer ter o rótulo de Indicação Geográfica

0 Comments 🕔14.set 2026

Moradores de Porto Marinho, distrito rural de Cantagalo, no noroeste do estado do Rio de Janeiro, afirmam há décadas que o Arroz Anã produzido na região possui aroma, sabor e textura diferentes de qualquer outro arroz. Presente na culinária local e cultivado por agricultores familiares em sistema tradicional, o cereal carrega um reconhecimento construído pela experiência dos produtores e consumidores.

Por esta razão, pesquisas lideradas pela Embrapa Agroindústria de Alimentos (RJ) reuniram evidências científicas que subsidiam o pedido de Indicação Geográfica (IG) por Denominação de Origem (DO) do chamado “Arroz Anã de Porto Marinho” ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). O pedido foi feito no mês passado pela Associação de Produtores Rurais, Pescadores, Artesãos, Moradores e Amigos de Porto Marinho e Entorno (Apomar).

Com análises laboratoriais e metodologias avançadas, a ciência agora demonstra aquilo que o conhecimento popular já percebia no prato. O trabalho integra um amplo levantamento envolvendo estudos físicos, físico-químicos, nutricionais e metabolômicos (relativos ao estudo dos metabólitos, pequenas moléculas resultantes de reações bioquímicas), além da caracterização da qualidade tecnológica e culinária do produto.

A coordenadora do projeto, pesquisadora Cristina Yoshie Takeiti, da Embrapa Agroindústria de Alimentos, explica que o objetivo central da pesquisa é comprovar cientificamente a relação entre as características singulares do arroz e o território onde ele é cultivado. Trata-se, portanto, de demonstrar que o Arroz Anã apresenta atributos diferenciados relacionados ao terroir de Porto Marinho.

“Uma Denominação de Origem exige evidências robustas de que as características do produto estão diretamente associadas ao meio geográfico e ao saber-fazer local”, complementa a pesquisadora.

O estudo foi apoiado pela Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) e reuniu equipes multidisciplinares da Embrapa e da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio).

Segundo Cristina Takeiti, as características do arroz anã reforçam o potencial gastronômico e mercadológico do produto. “O Arroz Anã reúne atributos valorizados internacionalmente em arrozes especiais. Estamos falando de um produto diferenciado, cultivado em pequena escala por agricultores familiares e que possui identidade própria”, destaca.

A Indicação Geográfica (IG) é um instrumento de propriedade intelectual utilizado para identificar produtos ou serviços que possuem origem geográfica específica e características associadas ao território. No caso do Arroz Anã de Porto Marinho, as pesquisas buscam justamente comprovar essa relação entre território e singularidade do produto. Os estudos contribuirão para estratégias de valorização comercial e proteção da identidade do produto. “Os resultados revelaram um perfil químico diferenciado. Estamos construindo uma espécie de assinatura química do produto. Essas análises permitem identificar características próprias do Arroz Anã e demonstrar, com base em evidências científicas, sua singularidade em comparação com outros materiais genéticos”, explica

O Arroz Anã é cultivado tradicionalmente em áreas próximas ao rio Paraíba do Sul, em sistema conduzido por agricultores familiares. Atualmente, cerca de 22 produtores participam da cadeia produtiva na região delimitada para o pedido de IG. Além da qualidade do produto, o projeto busca valorizar o conhecimento tradicional construído ao longo de décadas pelas famílias produtoras da região.

A expectativa é que o reconhecimento da Indicação Geográfica possa fortalecer a identidade territorial do produto, ampliar oportunidades de mercado e agregar valor à produção local. “A pesquisa científica não substitui o saber local. Pelo contrário, o que estamos fazendo é gerar evidências técnicas que reconheçam e valorizem uma tradição construída historicamente pela comunidade”, ressalta Takeiti.

 

 

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