Você sabe o que é Carinata?
A carinata é uma planta da família das brassicáceas, antes designadas crucíferas, conhecida por seu porte elevado e estrutura robusta. Suas folhas largas e caule carnudo podem alcançar mais de dois metros de altura, tornando-se uma presença imponente no campo. Embora a carinata tenha alta concentração de ácido erúcico e ácido glucossinólico, o que inviabiliza seu uso para alimentação humana ou animal, essas mesmas propriedades a tornam ideal para a produção de biocombustíveis e outros usos industriais.
Com características agronômicas robustas, adaptabilidade a solos desafiadores e um mercado em expansão voltado para biocombustíveis, a carinata (Brassica Carinata) é uma cultura ainda nova no Brasil, mas que já está conquistando espaço como a próxima grande aposta para a safrinha. Originalmente desenvolvida para a produção de biocombustíveis, a história da carinata vai além do solo fértil — ela está decolando no campo e se posicionando como uma oportunidade de diversificação com baixo risco e alto retorno, com impactos que chegam a grandes resultados.
O destaque da carinata é seu uso na produção de biocombustíveis, especialmente o SAF (Combustível Sustentável de Aviação). Com a pressão global por redução de emissões de gases de efeito estufa, a carinata se posiciona como uma alternativa valiosa. A meta de neutralizar 100% das emissões no setor de aviação até 2050 exige que 65% da matriz energética seja composta por combustíveis sustentáveis, e a carinata atende perfeitamente a essa demanda.
“A carinata é uma cultura não alimentar com alto teor de óleo, o que a torna ideal para o mercado de SAF. Além disso, ela se alinha aos objetivos globais de sustentabilidade, contribuindo para a diminuição da pegada de carbono. O potencial de mercado é vasto. Estima-se que, para atender a demanda global por SAF, seria necessário o cultivo de 35 milhões de hectares de carinata, o que representa uma oportunidade imensa para o Brasil”, afirma o consultor da Valmont, Geuzimar Terração, que é Engenheiro Agrícola e Ambiental pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ).
Em meio aos desafios do agronegócio, o produtor Diogo Picaro Mauro decidiu experimentar a carinata irrigada na Fazenda Nossa Senhora do Rosário, localizada em Santa Cruz do Rio Pardo, no estado de São Paulo. A fazenda possui 150 hectares de área irrigada e 220 hectares de área de sequeiro. A irrigação é realizada por dois pivôs centrais da Valley: um que cobre 87 hectares e outro de 60 hectares. A área destinada à carinata está sob o pivô maior, que garantiu a suplementação hídrica necessária nos momentos críticos, assegurando o desenvolvimento uniforme das plantas. A carinata foi escolhida como uma alternativa viável e sustentável para a safrinha, trazendo resultados promissores.
A decisão de plantar carinata se concentrou em uma área específica de 37 hectares irrigados, onde antes havia sido cultivado feijão e, posteriormente, milho. Com o pivô Valley, a carinata se apresentou como uma opção para manter a produção ativa e, ao mesmo tempo, testar a viabilidade da cultura. “Se o custo com cobertura seria inevitável, por que não arriscar na carinata, que poderia nos dar receita?”, pondera Diogo.
O custo médio com insumos para o plantio da carinata foi de R$ 1.800 por hectare, com um custo total da safra, incluindo operações, estimado em R$ 2.800 por hectare. Diogo destaca que a expectativa inicial era de uma produtividade de 40 sacas por hectare, o que resultaria em uma rentabilidade de cerca de 20%. “Aos poucos, vimos que o potencial era maior. Com o desenvolvimento da cultura, já estamos estimando uma produção de 50 sacas por hectare, o que eleva a rentabilidade para 56%, considerando um custo de 32 sacas por hectare”, afirma.
A carinata enfrentou condições climáticas desafiadoras durante o ciclo de cultivo na Fazenda Nossa Senhora do Rosário. “Tivemos um período de seca de cerca de 38 dias, e mesmo com a irrigação, o calor intenso foi um teste para a cultura. A carinata é naturalmente resistente, mas sem o apoio do pivô da Valley, seria difícil alcançar bons resultados”, destaca Diogo.
Além disso, o uso da irrigação estendeu o período de florescimento, um aspecto importante em uma cultura de ciclo indeterminado. “A carinata tem a característica de manter flores se abrindo enquanto outras siliquas já estão em enchimento de grãos. Isso significa que, sem a irrigação adequada, a falta de umidade pode causar abortamento de flores e sementes malformadas, reduzindo a produtividade final”, explica o engenheiro agrônomo.
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