Nordeste Rural | Homepage


Uma tecnologia criada pela Embrapa permite integração do agricultor no manejo do solo, implantação de culturas e conservação ambiental

0 Comments 🕔05.ago 2026

O Sistema Agroecossistema de Produção Policultural Integrado de Alimentos (APPIA), desenvolvido pela Embrapa Agropecuária Oeste (MS), recebeu, em 2026, a certificação de Tecnologia Social da Fundação Banco do Brasil (FBB). O reconhecimento amplia as perspectivas de replicação da metodologia, em comunidades quilombolas, assentamentos rurais, povos indígenas e demais territórios da agricultura familiar em todo o País.

O Sistema APPIA integra horticultura diversificada, manejo do solo, irrigação e piscicultura, gerando renda contínua e segurança alimentar. Mais do que um conjunto de práticas agrícolas, o modelo propõe uma estratégia que consiste na integração da pesquisa com a assistência técnica, com foco no planejamento, gestão, estruturação da produção e acesso aos mercados.

Ao agregar pesquisa, assistência técnica, participação social e inovação, consolida-se como uma estratégia capaz de transformar pequenas propriedades em empreendimentos rurais mais sustentáveis, resilientes e economicamente viáveis, ampliando as oportunidades de desenvolvimento para milhares de famílias agricultoras.

Além dos ganhos produtivos, a tecnologia social reúne práticas sustentáveis, que contribuem para a recuperação da fertilidade do solo, uso racional da água, redução da dependência de insumos externos e fortalecimento da organização comunitária.

O diferencial do Sistema APPIA está na aplicação da metodologia participativa em todas as ações realizadas. Antes da implantação das tecnologias, pesquisadores e instituições parceiras realizam um diagnóstico da comunidade para identificar potencialidades e oportunidades, limitações e necessidades locais.

A partir desse diagnóstico participativo, são implantadas Unidades de Referência Tecnológica (URTs) nas propriedades selecionadas pelas comunidades. Os espaços passam a funcionar como laboratórios a céu aberto e vitrines de tecnologias, nas quais os agricultores acompanham o desenvolvimento das ações de implantação e condução, observam os resultados e participam dos cursos, oficinas, dias de campo e intercâmbios.

Outro diferencial é o planejamento dos sistemas produtivos nas propriedades, em módulos iniciais de aproximadamente 2.500 metros quadrados. Essa estratégia reduz os custos de implantação e facilita a adoção, acessível e gradual das tecnologias pelas famílias agricultoras.

Ao longo do processo, são integradas soluções em planejamento da propriedade, manejo agroecológico do solo, horticultura, fruticultura, irrigação, piscicultura, consórcios de culturas, e gestão da produção, formando um sistema produtivo diversificado, resiliente e economicamente sustentável, voltado principalmente para os mercados locais.

Segundo o pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste e idealizador do Sistema APPIA Ivo de Sá Motta, o principal diferencial do modelo proposto é considerar que a viabilização econômica da família agricultora representa uma etapa fundamental do desenvolvimento rural sustentável.

“O Sistema APPIA foi concebido para ir além da adoção de tecnologias de produção. Nossa proposta é fortalecer todos os elos da cadeia produtiva, desde o planejamento da propriedade e o uso sustentável dos recursos naturais até a organização dos produtores, a agregação de valor e o acesso aos mercados. Produzir mais, sem pensar na comercialização e na organização coletiva, não resolve os desafios da agricultura familiar”, destaca Motta.

O pesquisador explica que o sistema integra diferentes instituições, de forma que cada uma contribua com a sua especialidade. “A assistência técnica, a capacitação, o financiamento da produção e o acesso a insumos e infraestrutura, a organização social e o apoio à comercialização precisam caminhar juntos.

Para Motta, fortalecer o associativismo e cooperativismo é essencial para ampliar a capacidade de negociação dos agricultores na compra de insumos, na venda da produção e no acesso a políticas públicas para consolidação das empresas rurais individualmente e coletivamente. A estruturação física destas comunidades na forma de galpões comunitários e caminhões para preparo, beneficiamento, processamento, transporte e distribuição até os centros consumidores é indispensável para a otimização dos resultados e a viabilização econômica das comunidades.

Entre as práticas conservacionistas implantadas, com a nova tecnologia,  destacam-se: a construção de terraços em nível do tipo Manghum (base estreita), protegidos por cordões vegetados de cana-de-açúcar e a implantação de barreira vegetal no entorno da área produtiva, que contribui para o manejo adequado dos solos, das águas e o maior equilíbrio ambiental. Nesse sentido, também foi adotada a rotação de culturas e o plantio direto de hortaliças para ampliar a sustentabilidade da atividade.

Para comercialização e consumo próprio da comunidade, foram introduzidos plantios de maracujá, mamão, berinjela, jiló, pimenta, alface e abacate, entre outras culturas, em um quintal produtivo ao redor da residência, com mudas adquiridas de viveirista especializado, registrado no Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

 

 

 

 

 

 

 

No Comments

No Comments Yet!

No one have left a comment for this post yet!

Write a Comment

<

CITEquin - Hospital do Cavalo, Paudalho-PE