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Uma técnica cirúrgica inédita recupera potro puro sangue inglês de deformidade óssea

🕔17.abr 2019

Uma técnica de cirurgia veterinária inovadora pode salvar a vida de equinos que nascem com má formação nos ossos: chamada de ostectomia em cunha, a técnica é inédita em cavalos – muito usada em cachorros, ela nunca havia sido adaptada para equinos, que têm uma estrutura óssea diferente dos cães.

Com o uso dessa técnica, pesquisadores da PUCPR evitam eutanásia de um animal Puro Sangue Inglês (PSI). A anomalia atinge poucos potros, e na maioria dos casos é notada logo após o nascimento. Para analisar o grau de desvio do osso do animal, utiliza-se um transferidor ou softwares específicos. A informação coletada e analisada é utilizada em intervenções cirúrgicas. A cirurgia é baseada na correção do desvio ósseo do animal e fixação de pinos para que o osso possa calcificar na forma correta. Com isso, após o período de recuperação, o potro pode crescer e se desenvolver corretamente.

No caso do potro PSI, o acompanhamento começou cedo: o exame radiográfico foi solicitado no primeiro dia de vida, com imagens do membro afetado. Na semana seguinte foram realizados hemogramas e exames bioquímicos. Após 20 dias do nascimento, o animal foi separado da mãe e enviado à Fazenda Experimental Gralha Azul, da PUCPR. Lá, foi examinado pelos pesquisadores, que observaram comportamento normal – apenas a deformidade teve piora, e aos 40 dias pós-parto foi realizada a intervenção cirúrgica.

Ostectomia em cunha, comumente utilizada em cães e gatos, corrige desvio ósseo; 18 meses após cirurgia, o animal tem vida normal e capacidade para reproduzir. Procedimento também preservou o valor genético de Puro Sangue Inglês (PSI) do animal.

Para o doutor em Ciências Veterinárias, José Villanova Junior, da PUCPR e responsável pela pesquisa “O cavalo apresentava significativa deformidade do terceiro metatarso, que seria a canela, do membro pélvico esquerdo, mas não foram notados outros problemas de origem óssea”, conta. Para o especialista “Se houvesse demora em todo o processo, poderia prejudicar o desenvolvimento de outros membros. Seria algo como um efeito dominó”, explica Villanova Junior. “Vai piorando, especialmente a articulação um pouco acima do casco, onde as taxas de crescimento são mais rápidas em recém-nascidos e diminui consideravelmente durante os 6 meses de idade. Por isso era preciso operar cedo”, completa.

Neste tipo de procedimento, a correção é feita com apenas um mês de vida, tempo crucial para evitar maiores deformidades no animal. Além disso, o procedimento torna possível salvar o valor genético do animal já no começo da vida, para uma vida reprodutiva futura.

 

CITEquin - Hospital do Cavalo, Paudalho-PE