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Sistemas agroecológicos podem ser fortalecidos com o manejo adequado de adubos verdes

🕔06.out 2025

O plantio consorciado de três adubos verdes — girassol, nabo-forrageiro e níger — pode garantir um período contínuo de aproximadamente 123 dias de florescimento, assegurando oferta permanente de néctar e pólen para diferentes espécies de abelhas. A estratégia, testada em Jaguariúna, SP, confirmou que a diversidade de cultivos prolonga o calendário floral, um recurso essencial tanto para a meliponicultura quanto para a agricultura familiar que depende da polinização.

De acordo com o bolsista da Embrapa Meio Ambiente André Barbosa, embora cada espécie tenha mantido a mesma duração de floração em cultivos solteiros ou em consórcio, a combinação das três culturas possibilitou sucessão estável de recursos, eliminando lacunas de oferta. “Estudos anteriores com outras espécies já haviam registrado resultado semelhante, reforçando que o consórcio é uma prática eficiente para ampliar a disponibilidade de flores em sistemas agroecológicos”, explica Barbosa.

“Entre os adubos avaliados, destaca o bolsista, o nabo-forrageiro foi o que apresentou maior número de flores por área no pico da floração, enquanto o girassol teve a menor oferta. Mesmo sem sobreposição entre os períodos de maior florescimento das três culturas — o que impossibilitou comparações simultâneas de atratividade —, foram registradas diferenças marcantes na intensidade de visitação dos polinizadores”.

O nabo-forrageiro atraiu principalmente abelhas-sem-ferrão (ASF), como jataís, mirins e iraís, criadas em meliponários da Embrapa Meio Ambiente. O níger também se destacou, sobretudo pela forte presença da mandaguari, ASF abundante na região, observada coletando pólen e néctar em alta frequência. Essa interação, registrada pela primeira vez em estudo sistemático no Brasil, reforça a importância do níger para a meliponicultura.

Na Etiópia, o níger já é considerado uma das plantas apícolas mais relevantes, reconhecida pela oferta abundante de néctar e pólen. No Brasil, análises de mel de Scaptotrigona postica já identificaram pólen da espécie em amostras de Mogi Guaçu (SP). A confirmação de sua atratividade para mandaguari em Jaguariúna amplia as evidências do potencial da planta como recurso estratégico para abelhas nativas.

Já o girassol foi o cultivo mais procurado pela abelha africanizada (Apis mellifera), espécie exótica com colônias silvestres comuns na região. Essa diferenciação no comportamento dos polinizadores mostra que a diversidade de adubos verdes favorece distintos grupos de abelhas, aumentando a resiliência dos sistemas agrícolas.

Além de ampliar e diversificar a oferta floral, explica Joel Queiroga, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente e orientador de Barbosa, esses adubos verdes trazem ganhos ambientais e produtivos. “O girassol, por exemplo, cicla nutrientes das camadas profundas do solo e estimula fungos benéficos. O nabo-forrageiro contribui para a ciclagem de nitrogênio e potássio e apresenta rápida decomposição. O níger, mesmo sendo de inverno, adaptou-se bem ao cultivo de verão, florescendo justamente em abril e maio — período de escassez natural de flores na região”, destaca o pesquisador.

 

CITEquin - Hospital do Cavalo, Paudalho-PE