Produtores vão poder usar uma nova ferramenta para melhor gerenciar o uso do sistema lavoura-pecuária-floresta
Uma nova versão da planilha eletrônica para inventário florestal em sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) foi disponibilizada pela Embrapa Florestas (PR). Desenvolvida para uso no Excel, a ferramenta surgiu a partir de demandas identificadas em cursos com técnicos e produtores. Seu objetivo é apoiar o planejamento e a tomada de decisões sobre o plantio e o manejo das árvores nesses sistemas integrados. A ferramenta pode ser baixada gratuitamente na página da Unidade.
A Planilha para Inventário Florestal no sistema de ILPF se destaca por sua aplicabilidade prática. De acordo com o pesquisador Vanderley Porfírio-da-Silva, da Embrapa Florestas, a realização do inventário florestal é uma etapa crítica nos sistemas ILPF, especialmente aqueles voltados à obtenção do selo Carne Carbono Neutro (CCN).
“O inventário fornece informações que permitem avaliar o crescimento das árvores e estimar o carbono acumulado, dado necessário para comprovar a neutralização das emissões de metano entérico dos bovinos nos sistemas silvipastoris, mas é uma prática que sempre gera dúvidas sobre como deve ser feita”, observa. A planilha é voltada a extensionistas, consultores e demais profissionais que acompanham ou atendem projetos de ILPF.
Desde meados dos anos 2000, a pecuária bovina brasileira enfrenta pressões internacionais devido aos seus impactos ambientais, especialmente pela associação com o desmatamento e pelos baixos índices zootécnicos, que resultam em uma carne com alta pegada de carbono. Para abordar essas questões, a Embrapa desenvolveu, em 2012, a marca-conceito Carne Carbono Neutro (CCN). A iniciativa visa produzir carne bovina com emissões de metano compensadas pelo sequestro de carbono em árvores integradas aos sistemas pastoris, como a integração pecuária-floresta (IPF) e a integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), promovendo o bem-estar animal com maior conforto térmico devido à sombra proporcionada pelas árvores.
Testado em fazendas nos biomas Cerrado, Amazônia e Mata Atlântica, o protocolo CCN integra boas práticas agropecuárias, bem-estar animal, compensação de emissões, rastreabilidade e padrões para frigoríficos. Está alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) nº 2, 12 e 13 que tratam, respectivamente, de erradicar a fome, garantir padrões de consumo e produção sustentáveis e de ações de enfrentamento às mudanças climáticas, além de promover transparência e gestão eficiente na cadeia produtiva, em alinhamento à agenda ESG.
Para Roberto Giolo, pesquisador da Embrapa Gado de Corte (MS) e um dos idealizadores da iniciativa, “a marca CCN agrega valor à carne, beneficiando toda a cadeia, do produtor ao consumidor, com foco na sustentabilidade e na redução de impactos ambientais. Isso fortalece a competitividade da pecuária brasileira nos mercados interno e externo, melhorando sua reputação global”.
