Produtor rural precisa de atenção para enfrentar os efeitos do El Niño nas lavouras
Depois de três safras sob influência do fenômeno climático La Niña, os agricultores brasileiros trabalham sob uma condição diferente em 2023. O El Niño, que embalou as safras de inverno, chegou com tanta força que levou alguns especialistas a preverem um fenômeno atípico neste ano, com quantidade de chuvas acima do normal e temperaturas elevadas em algumas regiões.
No Brasil, a influência do El Niño geralmente traz efeitos positivos para as regiões produtoras de grãos no centro-sul do país. Com chuvas bem distribuídas e acima da média, os produtores conseguem resultados melhores nas lavouras em comparação com os anos influenciados pelo La Niña, quando as estiagens são mais frequentes. “Existe uma tendência de que o clima seja favorável na Região Sul, só não podemos esquecer que uma característica do El Niño é a irregularidade. Já tivemos problemas com as chuvas excessivas no Rio Grande do Sul e até o final da safra, muito pode acontecer. Essa impressão de que, se vai chover bem, vai ser bom para a agricultura, pode ser uma ilusão”, observa Daniel de Pauli, Head de Sinistros da Sombrero Seguros.
A instabilidade decorrente do fenômeno climático vem ocasionando diversos eventos extremos, como ciclones extratropicais e tempestades no hemisfério sul. No hemisfério norte tivemos temperaturas altíssimas, que fizeram deste o verão mais quente da história. Segundo Pauli, em um cenário como esse, assim como os produtores não deixam de plantar, as seguradoras não deixam de oferecer o seguro, cumprindo com responsabilidade sua função para o desenvolvimento econômico sustentável e também para o crescimento do mercado de segurador e ressegurador.
“Mesmo com a tendência de maior quantidade de chuvas no Sul, a irregularidade ainda é um fator de cautela. Pode haver, em regiões isoladas, veranicos com períodos atípicos de estiagem e altas temperaturas, que, se acontecerem em períodos decisivos do desenvolvimento das lavouras, podem comprometer a produtividade”, explica Pauli. “Existe uma falsa sensação de segurança diante de um evento que traz grande incerteza”, completa.

