Produção de mel, quem diria, está sujeita a invasão de abelhas ladras
As abelhas ladras são tão especializadas em saquear as colmeias que muitas delas nem possuem mais a estrutura das pernas utilizada para transportar o pólen, conforme identificaram os pesquisadores da Embrapa e europeus. No Brasil, as ladras mais comuns são a abelha-limão ou iratim (Lestrimelitta spp.). De acordo com Cristiano Menezes, pesquisador da Embrapa Amazônia Oriental, esses insetos roubam tudo, do alimento aos materiais de construção, além de matarem as crias das outras abelhas.
A morfologia dessas ladras, ou seja, sua forma física, foi adaptada para lutar, e, por isso, são verdadeiros “tanques de guerra”, explica o cientista, enfatizando que são muito fortes e possuem cabeças e pernas avantajadas, utilizadas para triturar e até decapitar vítimas de saque.
Essa ação predatória das ladras, que se especializou ao longo de séculos, também provocou pressão evolutiva em algumas espécies de abelhas sem ferrão. A pesquisa mostrou que a genealogia das guardas evoluiu na mesma época em que as ladras para se defenderem dos saques, gerando um grupo especial entre as abelhas operárias, redesenhando a divisão de trabalho.
Revelou ainda que as guardas distinguem-se das forrageiras, que são aquelas abelhas que buscam alimento, em tamanho e até cor. Esses soldados são entre 10% e 30% maior do que as operárias da mesma colônia, explicou o biológo Christoph Grüter, da Universidade de Mainz, um dos colaboradores da pesquisa. “Conseguimos vincular claramente a atividade das abelhas com a evolução desses soldados”, esclareceu Grüter.
Essa pressão evolutiva, segundo as análises, e que provocou essa diferenciação entre abelhas de uma mesma colônia, ocorreu pelo menos cinco vezes nos últimos 25 milhões de anos, sempre ao lado da diversificação e especialização das abelhas parasitas.

