Pesquisadores trabalham na criação de um padrão de qualidade da água para pecuária brasileira
A presença de substâncias em concentrações acima do permitido na água consumida pelos animais de produção representa um risco à saúde animal e à segurança dos alimentos. A propriedade pecuária deve oferecer água de qualidade aos animais. Disponibilizar água em quantidade suficiente e com qualidade garante que o animal mantenha as condições ideais de sanidade e bem-estar e produza alimentos seguros.
Pesquisadores da Embrapa Pecuária Sudeste (São Carlos, SP) e da Unicamp (Limeira-SP) analisaram legislações de países que têm padrões definidos para o consumo de água de animais e a partir disso propuseram um protocolo para definição de padrões de qualidade da água para a pecuária brasileira.
Qualquer situação incomum relacionada à água como, por exemplo, alterações no odor, na cor e impactos negativos no desempenho e na condição de saúde dos animais, deve ser motivo para se realizar a análise da água .
Alguns países estabelecem valores máximos com base na ocorrência de compostos químicos em águas superficiais e subterrâneas, toxicidade para as espécies ou, ainda, aplicam os mesmos critérios de qualidade para consumo humano. O Brasil utiliza valores de outros países, que possuem realidades diferentes.
Pela importância social e econômica da atividade pecuária no Brasil e pelas constantes ameaças que as fontes de água estão expostas, é essencial estabelecer métodos para determinar padrões de qualidade que considerem as realidades produtivas e ambientais do país. O Brasil é o segundo maior produtor de carne bovina e de aves e o quarto maior produtor de carne do mundo.
De acordo com o pesquisador Julio Palhares, da Embrapa, o padrão de qualidade da água para consumo de animais é resultado da interação de vários fatores produtivos, ambientais e da química do elemento que está sendo considerado. Por exemplo, o nitrato está presente nas águas e na dieta dos animais. Dessa forma, para estabelecer um padrão para esse elemento, deve-se considerar a fisiologia animal, o tipo de dieta, o tempo de exposição e a dinâmica química do nitrato.
O estabelecimento de padrões próprios, com base científica e transparente, seria benéfico para a saúde única do sistema, que inclui a saúde humana, animal e ambiental. “A determinação de padrões de qualidade da água para os animais não é uma tarefa fácil, mas o protocolo proposto pelo grupo de pesquisa fornece a base para que estudos nacionais sejam desenvolvidos, tendo como resultados padrões específicos para o consumo de água pelos animais”, ressalta Julio Palhares.

