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Pecuaristas aumentam a produção de leite mas o preço do litro cai quase 20%

Pecuaristas aumentam a produção de leite mas o preço do litro cai quase 20%

0 Comments 🕔28.jul 2026

O tema ganha relevância diante dos resultados registrados pela pecuária leiteira brasileira. Segundo dados da Pesquisa Trimestral do Leite, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no primeiro trimestre de 2026, os estabelecimentos sob algum tipo de inspeção sanitária adquiriram 6,78 bilhões de litros de leite cru, volume 2,6% superior ao registrado no mesmo período de 2025 e o maior para um primeiro trimestre desde o início da série histórica, em 1997. Ao mesmo tempo, o preço médio pago ao produtor ficou em R$ 2,24 por litro, queda de 18,8% na comparação anual.

A combinação entre crescimento da produção e pressão sobre a remuneração reforça a necessidade de controlar perdas evitáveis dentro da propriedade. Uma delas pode começar silenciosamente, poucas horas depois do nascimento: a falha na transferência de imunidade passiva, provocada principalmente por uma colostragem inadequada.

“Na bovinocultura de leite, precisamos atuar muito mais de forma preventiva do que no tratamento. Ao proteger a saúde dos bezerros desde os primeiros cuidados, reduzimos a necessidade do uso de antimicrobianos e evitamos impactos que podem acompanhar o animal ao longo de toda a vida produtiva”, afirma Gustavo Freu, especialista técnico da linha de Terapêuticos e Silagem da Ourofino Saúde Animal.

Diferentemente do que ocorre em algumas outras espécies, o tipo de placenta dos bovinos impede a passagem de anticorpos da mãe para o feto. Por isso, o bezerro nasce sem essa proteção e depende da ingestão adequada de colostro para adquirir imunidade nas primeiras horas de vida.

Segundo Freu, uma colostragem eficiente deve respeitar três princípios: quantidade, qualidade e tempo de fornecimento. A orientação é que o recém-nascido receba o equivalente a pelo menos 10% de seu peso vivo em colostro nas primeiras duas horas após o nascimento e mais 5% do peso vivo em colostro nas seis horas seguintes.

“O colostro funciona como a primeira vacina do recém-nascido. É por meio dele que o animal recebe os anticorpos necessários para enfrentar os microrganismos presentes no novo ambiente. Quanto mais cedo esse fornecimento acontece, maior tende a ser a capacidade de absorção das imunoglobulinas”, explica o especialista.

Além do volume, é necessário avaliar a qualidade. Nas propriedades acompanhadas tecnicamente, a recomendação é utilizar colostro com leitura acima de 25% na escala Brix, indicador associado à concentração de imunoglobulinas, especialmente a IgG. Portanto, não basta fornecer um grande volume: um colostro de baixa qualidade ou oferecido fora da janela adequada pode comprometer a transferência de imunidade.

A falha na transferência de imunidade passiva nem sempre apresenta sinais imediatos. Ainda assim, pode tornar o animal mais suscetível a doenças, como diarreia e pneumonia, aumentar a necessidade de tratamentos, comprometer o desenvolvimento e elevar o risco de mortalidade.

“Um bezerro bem colostrado tende a adoecer menos, desenvolver-se melhor e chegar à fase produtiva em condições mais favoráveis. Já o animal que sofre uma falha na transferência de imunidade pode apresentar doenças com maior frequência e carregar os reflexos desse início inadequado ao longo da vida”, afirma Freu.

No entanto, os cuidados essenciais nas primeiras horas de vida não terminam com a colostragem. A cura do umbigo também exige atenção, embora ainda seja frequentemente negligenciada. O procedimento deve ser realizado com solução de iodo a 10% até que o umbigo esteja completamente seco. Quando esse manejo não é feito corretamente, patógenos presentes no ambiente podem entrar pelo umbigo e causar infecções que, nos casos mais graves, podem levar o bezerro à morte.

Para o especialista, o principal desafio não está necessariamente na complexidade das técnicas, mas na capacidade de executá-las corretamente em todos os nascimentos: “Não basta que a equipe conheça o procedimento. É preciso estabelecer uma rotina para que quantidade, qualidade e horário do fornecimento sejam respeitados independentemente do dia, do turno ou do profissional responsável pelo atendimento”, afirma o especialista.

Diarreias e pneumonias estão entre os principais problemas sanitários enfrentados pelos bezerros nas primeiras fases de vida. Além de afetarem o bem-estar e o desenvolvimento dos animais, essas enfermidades geram despesas com medicamentos, mão de obra e acompanhamento, podendo comprometer o desempenho futuro do rebanho.

 

 

 

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