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Onde funcionam e como aproveitar o turismo nos territórios do programa Paisagens Alimentares no semiárido nordestino

🕔27.jan 2026

O trabalho é realizado em três estados: Alagoas, Pernambuco e Sergipe. Em Alagoas, as ações se concentraram em comunidades de agricultores familiares, na região de Olho d’Água do Casado e em Palmeira dos Índios. Em Sergipe, envolveram marisqueiras, extrativistas, empreendedores e artesãos dos povoados de Pontal, Preguiça e Terra Caída, no município de Indiaroba, além de São Cristóvão. Já em Pernambuco, as atividades ocorreram em Sirinhaém e Rio Formoso, dentro da Área de Proteção Ambiental (APA) de Guadalupe, território compartilhado por marisqueiras e remanescentes de quilombolas.

Segundo Denise Levy, especialista ambiental sênior do BID, o projeto comprova o papel estratégico do turismo comunitário e gastronômico para diversificar a economia rural com ética, participação e responsabilidade ambiental.

Conheça as rotas turísticas de cada território: Em São Cristóvão, a rota “Cidade Mãe de Sergipe” reconta a miscigenação brasileira a partir do uso do coco, da mandioca e do açúcar. No litoral sergipano, o roteiro “Delícias da Terra” valoriza saberes de mulheres marisqueiras e catadoras de mangaba em Indiaroba, fruto símbolo da identidade sergipana.

Em Alagoas, a rota “Da Caatinga aos Cânions” celebra a biodiversidade com pratos feitos a partir de ingredientes nativos, enquanto a vivência “Agricultura Familiar na Serra das Pias”, em Palmeira dos Índios, aproxima visitantes do universo da agroecologia e da jabuticaba.

Já em Pernambuco, a experiência “Riquezas ancestrais e do manguezal” convida os visitantes a mergulhar nos modos de vida de quilombolas e marisqueiras, em um ambiente onde terra e mar se entrelaçam com sabores e memórias.

O protagonismo feminino é uma marca do projeto. Em todos os territórios atendidos, mulheres rurais estiveram à frente das ações — liderando associações, coordenando trilhas turísticas, organizando vivências e estimulando a produção artesanal e agroecológica. Ao lado delas, jovens também foram mobilizados para atuar como guias, comunicadores e multiplicadores das tradições locais, impulsionando a valorização dos saberes e a permanência no campo.

Um dos casos mais emblemáticos está na Área de Proteção Ambiental (APA) de Guadalupe, em Pernambuco, onde 35 mulheres da Associação das Marisqueiras de Sirinhaém (Amas) estruturaram uma rota turística chamada Trilha das Marisqueiras, baseando-se em seus conhecimentos sobre o ciclo das marés e dos ecossistemas locais. A experiência imersiva inclui visita guiada aos manguezais, apresentação das técnicas sustentáveis de coleta de mariscos e degustação de pratos típicos como caldinhos e doces com frutas da região. Com o apoio do projeto, a trilha foi estruturada com novas estações de visitação, conteúdos educativos e práticas de economia circular, como o artesanato com resíduos do mangue e da pesca.

Com a iniciativa envolvendo as marisqueiras de Aver-o-Mar, o município de Sirinhaém foi premiado com o 3º lugar no Green Destinations Stories Awards, na categoria “Comunidades Prósperas”. O reconhecimento foi concedido durante a Feira Internacional de Berlim 2025. “O projeto agregou muito na nossa associação e na comunidade. Hoje, nós somos reconhecidas e valorizadas dentro de casa, pelos nossos esposos, na cidade e até fora do Brasil”, declara Viviane Maria Wanderly, presidente da associação. A projeção é que cerca de 900 pessoas do município sejam impactadas direta e indiretamente pela atividade turística dessas mulheres.

 

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