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O tomateiro fica mais protegido quando adubado com biocarvão

🕔16.mar 2023

Pesquisa realizada na Embrapa Meio Ambiente com biochar ou biocarvão – finos de carvão (material com diâmetro inferior a 9,5mm proveniente da produção de carvão vegetal) – mostrou que seu uso no solo aumenta a biomassa microbiana, promove o crescimento das plantas e reduz a severidade da murcha por Fusarium no tomateiro, além de mitigar as mudanças climáticas. É uma tecnologia limpa, que contribui na sustentabilidade da produção agrícola, e está determinada com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU).

O pesquisador Cristiano Andrade da Embrapa Meio Ambiente afirma que o uso do biocarvão é uma alternativa para mitigar as emissões antrópicas de gases de efeito estufa, que incluem o setor agropecuário, responsável por cerca de 30% das emissões nacionais. Seu potencial para mitigação das emissões está relacionado com a captura de dióxido de carbono que a planta exala no campo, durante seu desenvolvimento, por meio da fotossíntese e posterior estabilização no carvão quando a biomassa é pirolisada a temperaturas elevadas (geralmente entre 350ºC e 750ºC) , na ausência ou baixa concentração de oxigênio. Esse material, após aplicação no solo, é muito estável e permanecerá por séculos nos sistemas, promovendo melhorias relacionadas à fertilidade, física e microbiologia do solo.

No Brasil, maior produtor mundial de carvão vegetal, os finos de carvão são gerados em grandes quantidades devido a sua alta fragmentação durante os processos de fabricação, trânsito e transporte. Dessa forma, na produção do carvão vegetal são gerados cerca de 25% a 30% de finos e apenas 20% são reaproveitados na indústria de ferro-gusa.

Apesar de quaisquer outras formas de biomassas, sejam elas de origem animal ou vegetal, também poderão ser usadas na produção de biochar. o fato de os finos de carvão já disponíveis é uma vantagem, uma vez que seu valor para o setor siderúrgico é relativamente baixo e há possibilidade de aplicação direta no solo ou uso na composição de fertilizantes organominerais.

De acordo com Lucas Silva, autor do trabalho e bolsista da Embrapa Meio Ambiente, a severidade da murcha de Fusarium e as atividades microbianas no solo foram inversamente fornecidas às doses de biocarvão construídas ao solo. As massas frescas e secas das raízes e da parte aérea, assim como o diâmetro do caule cresceram com o aumento da dose utilizada. Além disso, houve efeito na redução da germinação de microconídios de Fusarium .

“A redução na severidade da murcha de Fusarium no tomateiro com o aumento da dose de biochar no solo pode ser explicada, em parte, pela indução de resistência sistêmica nas plantas. Na literatura científica há relatos de que a adição de biochar induz resistência contra o mofo cinzento e o oídio em plantas de pimenta e tomate”, acredita Silva.

 

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