A cultura do tomateiro é exigente em insumos e vulnerável a doenças provocadas por vírus, fungos e bactérias do solo. Entre os principais gargalos estão as ondas de calor intenso e os períodos prolongados de chuva. No Brasil, a produção do tomate para processamento industrial se concentra no Cerrado em virtude do clima ameno e seco, com plantios no período de fevereiro a meados de abril.
Essas condições favorecem o cultivo irrigado durante a estação seca, prevenindo ocorrências severas de doenças, principalmente as causadas por fungos. A cadeia de produção consolidou-se na região Centro-Oeste e se caracteriza pela predominância de lavouras irrigadas de grande escala, pela elevada mecanização e pela integração com as agroindústrias. O Estado de Goiás responde por 65% da produção, seguido pelos estados de Minas Gerais (17%), de São Paulo (16%) e de Pernambuco (2%).
Além da produtividade, a matéria-prima destinada ao processamento industrial precisa atender a requisitos rígidos de qualidade: maturação concentrada, firmeza, sanidade, alto teor de sólidos solúveis medido em °Brix e o rendimento de polpa.
Os especialistas explicam que as janelas de plantio são categorizadas em faixas de risco de 20%, 30% e 40% de probabilidade de perda de produção, detalhadas por município, tipo de solo, ciclo da cultivar e decêndio (período de 10 dias) do ano. E correspondem a dois grupos de ciclos de cultivo: aqueles com ciclo menor ou igual a 120 dias e aqueles com ciclo maior ou igual a 121 dias.
O cenário ideal para o desenvolvimento do tomate industrial requer temperaturas entre 20 °C e 27 °C, sem extremos nas fases sensíveis de desenvolvimento da planta. Da mesma forma, o frio pode afetar o desenvolvimento da planta a depender da sua intensidade e duração.
Temperaturas elevadas durante o florescimento e frutificação podem reduzir a viabilidade de pólen, o pegamento dos frutos e o potencial produtivo. Como exemplo, temperaturas máximas superiores a 35 °C, na fase da floração, podem afetar a produtividade e qualidade do tomate produzido.
Por outro lado, temperaturas mínimas inferiores a 3 °C e temperaturas médias abaixo de 19 °C em determinado período crítico do ciclo de produção podem prejudicar o desenvolvimento e a produção da cultura.
Segundo os especialistas, chuvas acumuladas superiores a 240 mm nos primeiros 40 dias podem comprometer o estabelecimento e a fase inicial da lavoura. Já acumulados de chuva acima de 90 mm no momento da maturação e da colheita causam danos severos, reduzindo a qualidade do fruto e o rendimento industrial.
