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Um estudo orienta o agricultor a usar o zoneamento de risco climático para o plantio de tomate

0 Comments 🕔28.out 2026

Estudo indica épocas de plantio, parâmetros de mitigação de riscos climáticos e critérios para acesso a crédito e seguro agrícola. A cultura do tomate para processamento industrial foi incluída no Programa Nacional de Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), que delimita as regiões de produção e as épocas de plantio de acordo com as probabilidades ou o risco de perda de produção causadas por eventos meteorológicos adversos.

A portaria publicada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) no Diário Oficial da União traz as orientações para subsidiar as decisões dos produtores, dos agentes financeiros e seguradoras para o cultivo de tomate industrial irrigado nas principais regiões produtoras do Brasil. As datas de plantios estipuladas no estudo devem ser seguidas pelos produtores que desejam acessar o Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro), o Programa de Subvenção ao Seguro Rural (PSR) e o Crédito Rural.

O estudo abrange o cultivo irrigado, que é o sistema recomendado para a produção destinada ao processamento industrial. O segmento representa parte significativa da agroindústria brasileira, sendo responsável pelo fornecimento da matéria-prima destinada à fabricação de polpas, extratos, molhos e outros derivados. A produção de tomate no Brasil divide-se entre uso industrial (40%) e consumo fresco (60%), figurando entre os dez maiores produtores mundiais. Em 2025, a produção nacional para processamento industrial foi de 1,88 milhão de toneladas.

Os responsáveis pelo estudo explicam que a opção por concentrar as ações do Zarc no tomate industrial deve-se pela padronização do seu sistema produtivo, em todo o país. Diferentemente do tomate de mesa, que abrange uma ampla diversidade de sistemas de produção, o segmento industrial adota um modelo bem uniforme, pautado pelo uso de irrigação, cultivares híbridas de crescimento determinado e colheita mecanizada.

Essa homogeneidade do cultivo do tomate industrial permite que um único zoneamento represente adequadamente o sistema de produção e traga benefícios estruturados para toda a cadeia. Diante da complexidade dos cultivos de tomates de mesa, as áreas com lavouras para esse fim seguem enquadradas nas diretrizes do Manual do Crédito Rural destinadas a culturas sem Zarc publicado, ou seja, aos empreendimentos não zoneados.

A estabilidade da cadeia de produção voltada para o processamento industrial é sustentada também pelo uso de sistemas de irrigação principalmente por aspersão mecanizada (pivô central).  O pesquisador da Embrapa Hortaliças, Marcos Braga, explica que, mesmo com o uso da irrigação, a lavoura fica sujeita aos problemas relacionados a oscilações extremas de temperatura, ao excesso de chuva e à inadequação do solo ou das cultivares.

O objetivo do zoneamento é subsidiar os produtores com informações sobre os riscos agroclimáticos, para que eles possam adaptar os sistemas produtivos para reduzir perdas de produção causadas por eventos meteorológicos adversos. As análises também indicam o potencial agroclimático de novas áreas de produção.

Braga ressalta que o estudo baseia-se na premissa de que o agricultor adota o manejo adequado para a cultura e compatível com as condições de cada localidade. Isso significa que as perdas causadas ou agravadas por manejo inadequado, ou eventual descontrole fitossanitário não fazem parte do estudo.

Os dados do zoneamento estão disponíveis para consulta pública no Painel de Indicadores do Zarc, nas portarias oficiais por estado e no aplicativo Zarc Plantio Certo (Android e IOS).

 

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