Como criar galinhas de quintal com novo modelo de galinheiro protegido
A criação de galinhas de quintal é uma prática ancestral da agricultura familiar brasileira, destinada principalmente à produção de ovos e carne para consumo próprio. Além de contribuir para a segurança alimentar, a atividade pode complementar a renda das famílias.
Apesar da rusticidade dessas aves, a criação exige cuidados sanitários. A proximidade com animais silvestres e a circulação livre pelos quintais podem aumentar o risco de transmissão de doenças, com consequências para a produção e a saúde das famílias.
Instalações protegidas, limpeza dos ambientes e medidas preventivas de manejo são fundamentais para reduzir esses riscos e garantir a qualidade dos alimentos. As atividades, que contam principalmente com a participação de mulheres, buscam reduzir a mortalidade das aves e ampliar a oferta de ovos. A iniciativa também tem potencial para fortalecer a autonomia e melhorar a qualidade de vida das famílias.
Os especialistas apontam que, em muitas pequenas propriedades, as aves são mantidas soltas, sem cercas ou proteção contra animais silvestres, o que aumenta o risco de contaminação. Por isso, a participação do agricultor familiar é considerada fundamental para conter o avanço da doença.
Com esse objetivo a Embrapa Pantanal (MS) desenvolveu um modelo de instalação para criar galinhas de quintal, além de divulgar um conjunto de procedimentos sanitários destinados a reduzir o risco de doenças nas aves. Voltadas à agricultura familiar e às comunidades indígenas do Pantanal, as soluções buscam melhorar a qualidade dos ovos e ampliar a segurança alimentar. O trabalho também inclui fórmulas de rações alternativas à base de moringa e mandioca, que podem substituir até 50% do milho e do farelo de soja utilizados na alimentação das aves.
As características das instalações e os procedimentos sanitários estão detalhados no Comunicado Técnico 125, publicado em 2026, pela Embrapa. O documento apresenta um modelo de criação com capacidade para até 100 galinhas poedeiras, que inclui estruturas com a finalidade de reduzir o contato com animais silvestres e facilitar o manejo sanitário. O custo estimado de implantação é de R$ 18 mil.
Segundo a pesquisadora Adriana Araújo, o projeto oferece capacitação para a criação de aves, com orientações sobre prevenção de doenças, cuidados sanitários, qualidade dos ovos e construção de instalações que reduzam o contato com animais silvestres.
A pesquisadora Raquel Juliano, também responsável pelo projeto, explica que, além de garantir alimentos saudáveis para as famílias, a ação valoriza o bem-estar animal e a produção sustentável de insumos nos próprios quintais: “A integração entre a saúde humana, animal e ambiental constitui a base do conceito de Saúde Única e contribui para proteger as comunidades tradicionais, além de fortalecer a vigilância em saúde”, destaca.
As pesquisadoras pontuam que os ovos são uma fonte de nutrientes na dieta da aldeia e que o aumento de sua qualidade é fruto de protocolos que englobam a saúde das aves, dos ninhos, do ambiente e também do próprio ser humano, numa perspectiva de Saúde Única.
Na alimentação das aves, o uso de moringa e mandioca apresenta potencial para reduzir os custos com ração e a dependência de insumos externos. “O foco é aumentar a oferta de alimentos de qualidade na agricultura familiar com aves resistentes às condições locais. Estudos vêm sendo desenvolvidos para utilizar subprodutos locais, como o processamento de mandioca, para engorda e postura”, explica Araújo.
De acordo com ela, as comunidades estão sendo incentivadas a cultivar as plantas utilizadas nas formulações alternativas. A previsão é iniciar a substituição gradual dos ingredientes convencionais da ração em 2027, mas os resultados dessa adoção ainda precisarão ser avaliados.
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