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Inoculação com bactérias aumenta teor de proteína na plantação de braquiária

🕔06.ago 2025

Além disse, a capaz de reduzir impacto do aquecimento global na pastagem. O estudo é da USP e mostra que inoculação aumentou em até 38% o teor de proteína bruta na braquiária híbrida Mavuno mesmo sob temperaturas elevadas. A inoculação de sementes com bactérias foi capaz de neutralizar os efeitos negativos do aquecimento global sobre a produtividade e a qualidade nutricional de pastagens tropicais.

O estudo da Universidade de São Paulo (USP) foi realizado em campo com a brachiaria híbrida Mavuno. O experimento foi conduzido ao longo de 405 dias no campus USP em Ribeirão Preto, São Paulo, utilizando um sistema de aquecimento por infravermelho. Durante os testes, a temperatura média do ar foi de 23,7 °C, com máximas médias de 34,1 °C.

No grupo aquecido, a temperatura média do dossel foi de 25,5 °C, com picos de até 48,2 °C durante uma onda de calor, simulando o cenário climático limite de mais dois graus Celsius previsto no Acordo de Paris.

As sementes foram inoculadas com duas bactérias: Azospirillum brasilense, conhecida por fixar nitrogênio do ar e estimular o crescimento radicular, e Pseudomonas fluorescens, que atua na proteção contra estresses ambientais. Ambas são comercializadas no Brasil e vêm ganhando espaço como bioinsumos sustentáveis.

A escolha da brachiaria Mavuno se deu por características agronômicas e fisiológicas, incluindo a alta produtividade, já demonstrada em estudos anteriores com inoculação. Outros aspectos favoráveis considerados foram seu sistema radicular bem desenvolvido, que favorece a recuperação após déficit hídrico e sua capacidade de formar touceiras, típica de gramíneas tropicais perenes.

“A Mavuno tem um sistema radicular profundo e eficiente, o que favorece a absorção de água e nutrientes mesmo em condições adversas. Isso potencializa os efeitos da inoculação”, explica o professor da FFCLRP-USP e coordenador da pesquisa, Carlos Alberto Martinez.

Além do aumento de proteína, o experimento mostrou que a inoculação em Mavuno compensou integralmente a perda de produtividade causada pelo aquecimento, que chegou a reduzir a biomassa em 28% nas plantas não inoculadas.  As plantas tratadas mantiveram a produção e ainda apresentaram melhorias na digestibilidade da forragem e redução nos teores de lignina e fibras fatores diretamente ligados ao desempenho de bovinos de corte e leite. A digestibilidade da matéria seca aumentou em até 8% com a inoculação, mesmo sob estresse térmico.

Segundo a pesquisa, o aumento de 38% no teor de proteína bruta na Brachiaria Mavuno inoculada e sob aquecimento (+2 °C) está diretamente relacionado à maior disponibilidade de nitrogênio promovida pela fixação biológica realizada pelas bactérias, o que impacta positivamente a qualidade da forragem e o desempenho animal.

As análises também reforçam o papel dos inoculantes microbianos como ferramenta estratégica para a adaptação da agropecuária às mudanças climáticas. “Estamos falando de uma tecnologia de baixo custo, já disponível no mercado, que pode melhorar a qualidade da aliimentação animal e reduzir a dependência de fertilizantes nitrogenados”, afirma Martinez.

Para Alex Wolf, CEO da Wolf Sementes, que desenvolveu e comercializa Mavuno, os resultados estão em linha com o que a empresa observa em campo e potencializam a qualidade nutricional e digestibilidade já reconhecidas do híbrido.

 

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