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Criado um novo método para analisar os resíduos de pesticidas no pólen de laranjeira

🕔30.jul 2025

O Brasil, maior produtor mundial de laranja, enfrenta desafios com o uso de pesticidas e controle de pragas. Agora, pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e Embrapa Meio Ambiente (SP) desenvolveram e validaram um novo método laboratorial capaz de detectar resíduos de pesticidas no pólen de laranjeira com alta precisão e consumo mínimo de insumos. O método exige 100 vezes menos amostras em comparação aos procedimentos tradicionais e reduz o uso de solventes e reagentes, diminuindo também os custos de análise e o impacto ambiental.

A metodologia chega em um momento crucial para a citricultura nacional. O Brasil é o maior produtor mundial de laranja, com uma colheita que ultrapassou 17,6 milhões de toneladas em 2023, segundo o IBGE. No entanto, o uso intensivo de pesticidas para combater pragas e doenças nas lavouras tem levantado preocupações ambientais e de saúde pública, especialmente quando se trata dos neonicotinóides, classe de inseticidas sistêmicos derivados da nicotina, que permanecem na planta e podem contaminar o pólen, afetando abelhas e outros polinizadores.

De acordo com os pesquisadores Robson Barizon e Sonia Queiroz, responsáveis pelo estudo conduzido na Embrapa, a análise de pólen é importante tanto para entender os impactos desses pesticidas sobre as abelhas quanto para avaliar possíveis riscos à saúde humana, uma vez que esse produto também é consumido como suplemento alimentar.

O método utiliza a técnica de micro-QuEChERS para preparo de amostra. O método QuEChERS (do inglês Quick, Easy, Cheap, Effective, Rugged, Safe) foi desenvolvido nos anos de 2001 e 2002 pelo cientista alemão e cipriota Michelangelo Anastassiades e colaboradores.  No início, foi aplicado para análise de medicamentos veterinários e, depois, testado com sucesso na análise de resíduos de pesticidas em material vegetal. É considerado, como na sua denominação traduzida, um método rápido, fácil, econômico, efetivo, robusto e seguro, podendo ser aplicado em qualquer laboratório.

A nova metodologia foi desenhada para superar desafios analíticos significativos, como a complexidade da matriz e o baixo volume do pólen disponível para análise. A microextração baseada em QuEChERS adaptada permitiu uma abordagem miniaturizada e eficiente, usando apenas 100 mg de pólen e reduzindo drasticamente a geração de resíduos de reagentes e solventes, de forma alinhada ao conceito de química verde, que busca restringir ou eliminar o uso e a geração de substâncias nocivas à saúde e ao ambiente.

 

 

 

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