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As voçorocas são fenômenos que prejudicam terras de várias parte do Brasil

🕔27.jan 2026

Em Tupi Guarani, voçoroca significa “terra rasgada”. A tradução é precisa para descrever o que se vê em muitas paisagens rurais e urbanas do Brasil: imensas crateras formadas pela erosão acelerada do solo. Essas cicatrizes profundas destroem lavouras, ameaçam estradas, residências e rebanhos, provocam o assoreamento de rios e colocam em risco a segurança de comunidades inteiras.

O problema é antigo e disseminado. Há registros de voçorocas com mais de 50 metros de profundidade e 15 mil metros quadrados de área, formadas ao longo de dois séculos de uso inadequado do solo em regiões como o Vale do Paraíba (RJ e SP) e Tiradentes (MG). Mas também há casos recentes, em áreas abertas há menos de 50 anos, como em Alta Floresta e Alto Taquari (MT), Marabá (PA) e Loanda (PR). Onde o solo é frágil, a vegetação foi retirada e as chuvas são intensas, a erosão avança rapidamente.

Em levantamento realizado pela Embrapa Agrobiologia na bacia do rio Barra Mansa (RJ), foram identificadas 154 voçorocas apenas no trecho estudado. Cada uma delas apresentava, em média, 2 mil metros quadrados e 10 metros de profundidade, o que corresponde a cerca de 3 milhões de metros cúbicos de solo erodido, equivalente a 300 mil caminhões de aterro. Grande parte desse material foi arrastada para as baixadas e cursos d’água, alterando ecossistemas e aumentando riscos de enchentes.

“O que precisa ser feito para conter e recuperar as voçorocas já é conhecido há anos: manter o solo coberto, reintroduzir vegetação adequada e usar espécies capazes de melhorar a estrutura e a fertilidade do solo”, enfatiza Resende, pesquisador da Embrapa.

Nesse cenário, as leguminosas inoculadas com microrganismos benéficos — tecnologia desenvolvida pela Embrapa — têm se mostrado uma das estratégias mais eficazes. Elas ajudam a reconstruir a cobertura vegetal, fixam nitrogênio, aumentam a matéria orgânica e estabilizam o terreno, criando condições para que outras espécies se estabeleçam e o equilíbrio ecológico volte a se formar. Assim, a ciência mostra que é possível reverter as “terras rasgadas” e transformá-las novamente em áreas produtivas e sustentáveis.

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