Vespas podem combater e controlar o ataque de pragas no algodoeiro
O algodoeiro é umas das culturas mais atacadas por pragas e, consequentemente, uma das que mais tem utilizado agrotóxicos. Diante dessa realidade, uma das alternativas recomendadas pelos pesquisadores da Embrapa Algodão, em Campina Grande, na Paraíba é a implantação de programas de controle biológico de pragas, fazendo uso de vespas conhecidas por Trichogramma.
Essa vespa parasita os ovos de diversas mariposas antes de sua eclosão e do nascimento das lagartas, controlando as pragas antes que elas causem danos à cultura. “Com essa tecnologia é possível favorecer o agroecossitema e torná-lo sustentável, diminuindo o risco ambiental com os químicos e promovendo o equilíbrio do agroecossistema”, afirma o entomologista e pesquisador da Embrapa Algodão, Raul Porfírio de Almeida. Segundo o pesquisador, o Trichogramma é usado no Brasil para combater importantes pragas do algodoeiro como o curuquerê (Alabama argillacea) e a lagarta-das-maçãs (Heliothis virescens).
Em diversos países, a lagarta rosada (Pectinophora gossypiella) também tem sido hospedeira desse parasitóide: “Além da cultura do algodão, para outras culturas como tomate, mandioca, soja, sorgo, amendoim, milho, cana-de-açúcar, trigo, morango, videira, macieira, arroz, hortaliças, pastagens, espécies florestais, dentre outras, são desenvolvidas pesquisas com o Trichogramma”, informa Almeida.
O Trichogramma é produzido em laboratório ou biofábrica num período de até 70 dias. O desenvolvimento desses parasitóides acontece dentro dos ovos do hospedeiro que, após oito dias, se completa, estando pronto para ser liberado no campo. O pesquisador explica as vantagens do uso do controle biológico: “Esta tecnologia prevê o controle mínimo de 80% dos insetos-praga, não promove a resistência ao seu uso, é compatível com outros métodos de controle, não contamina o ambiente e não é prejudicial ao ser humano, tendo em geral um custo menor que os outros métodos de controle”.
