Uso de satélite para identificar áreas de entrada de pragas no Brasil
Atualmente, a região Norte é a principal porta de entrada das pragas quarentenárias no Brasil, e Roraima é o estado que apresenta maior número de registros. Um dos motivos da alta incidência desses organismos está no aumento do fluxo de mercadorias e pessoas circulando pelas fronteiras estaduais e internacionais dos estados da região Norte. Outros fatores que contribuem para esse cenário são a dificuldade de acesso e fiscalização, a falta de pessoal habilitado para identificação de espécies e o clima favorável ao estabelecimento de insetos e ácaros.
O transporte de sementes, mudas, frutas e outras partes de vegetais tem sido um dos fatores que mais contribuem para a disseminação das pragas no mundo. Praticamente todos os grupos de pragas podem ser levados dessa maneira. “Incluem-se nesse tipo de via embalagens de origem vegetal, como madeira ou papel, que também podem abrigá-las”, explica o pesquisador da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia Marcelo Lopes da Silva.
A Embrapa Gestão Territorial, com o suporte de sua base de dados georreferenciados, tem trabalhado para identificar as prováveis vias de ingresso das pragas no País e por onde é mais fácil ocorrer sua disseminação, como rodovias federais e estaduais, apoiando a prevenção da entrada e do estabelecimento de pragas quarentenárias no Brasil.
Segundo Claudio Spadotto, gerente-geral dessa Unidade, foram identificadas 364 vias de possível ingresso terrestre de pragas vindas de países vizinhos, em interseções da fronteira com estradas e rodovias, e 26 locais na região de fronteira passíveis de ingresso de pragas por meio de embarcações.
Já está demonstrado que as pragas podem ser introduzidas em áreas muito distantes de seus lugares de origem. No entanto, a proximidade física aumenta o risco de uma invasão. O desafio da vigilância sanitária no Brasil é grande, dada sua vasta fronteira com países vizinhos, com mais de 15,5 mil km de extensão, sendo uma parte por linha seca, outra ao longo de rios, lagos e canais.
O pesquisador alerta que, devido ao grande número de aeródromos (519 aeroportos e campos de pouso e decolagem) localizados na faixa de fronteira, majoritariamente em propriedades privadas, é necessário um reforço na vigilância e no controle das possíveis entradas de pragas por transporte aéreo.
Em um mapeamento realizado em parceria com a Embrapa e a Sociedade Brasileira de Defesa Agropecuária (SBDA), o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento elencou algumas pragas quarentenárias como prioritárias para serem monitoradas pelo serviço de vigilância fitossanitária nas fronteiras. Como exemplos, podem ser citadas: monilíase-do-cacaueiro (Moniliophthora roreri), Striga (Striga spp.), ácaro-chileno-das-fruteiras (Brevipalpus chilensis) e Xanthomonas oryzae do arroz. A precaução leva em consideração a proximidade geográfica de ocorrência das pragas e a importância econômica das culturas agrícolas que podem ser infectadas.

