A importância da cor da carne na avicultura de corte decide a venda e o resultado da granja
Um frango pálido, com pele sem cor e gordura esbranquiçada, pode ter tido um excelente desempenho dentro do aviário e, ainda assim, perder valor na hora em que o consumidor olha para ele. É nesse momento que se reconhece a importância do pigmento na estrutura do frango de corte. Segundo a nutricionista animal da Quimtia Brasil, Juliana Forgiarini, o aditivo ajuda a garantir cor e padronização para a pele, a gordura das aves. “Ele é um daqueles itens discretos da ração que o produtor não vê, mas o mercado enxerga imediatamente”, analisa.
Para ela, quando se fala em pigmento na avicultura de corte, o impacto não é apenas “de aparência”, mas também em aspectos que afetam diretamente o negócio do produtor e da agroindústria. “A adequação à preferência do mercado, ou seja, um frango com cor bem definida e que se encaixa melhor em linhas premium, abre portas para uma valorização comercial do produto”, comenta Forgiarini.
À medida que o consumidor passou a valorizar pele amarela ou dourada, a adoção de pigmento na ração de aves de corte ganhou maior relevância, por influenciar diretamente a padronização visual e a aceitação comercial do produto. Para se ter uma ideia, hoje o mercado já disponibiliza pigmentos 100% naturais, atendendo diretamente a linhas que buscam, inclusive, reduzir o uso de insumos sintéticos. “O GP Oro, por exemplo, vem sendo uma das alternativas mais buscadas pelos avicultores”, pontua a especialista.
Depois que o frango consome a ração com a adesão de pigmento, os carotenoides presentes no pigmento são absorvidos no intestino delgado, sempre em associação com os lipídios da dieta. Uma vez absorvidos, esses carotenoides são transportados na corrente sanguínea por meio de lipoproteínas. É esse “transporte” que leva o pigmento até os tecidos de destino. E esses tecidos preferenciais são justamente os que têm mais gordura: pele e gordura abdominal.
Em frangos de corte, em condições normais, uma mudança perceptível na cor da pele costuma aparecer em torno de 15 dias após um ajuste consistente no nível de pigmento. “No entanto, o pigmento e a sanidade intestinal das aves andam de mãos dadas. Ou seja, qualquer problema intestinal apresentado no animal – como enterites, lesão de mucosa ou desequilíbrio da microbiota – reduz a eficiência dessa absorção”, alerta a especialista.
Quando se observa o comportamento do consumidor, fica claro que a exigência não é apenas “frango amarelo”. O que se busca é uma coloração uniforme, sem manchas claras ou tons irregulares, com uma pele que apresente amarelo a dourado em toda a chamada “carcaça”. Essa aparência é interpretada, intuitivamente, como sinal de frango bem nutrido e saudável.
“Mais do que uma preferência estética, essa cor remete ao frango de sítio, a refeições em família. Isso cria uma sensação de autenticidade e confiança no produto. Já a pele muito branca ou sem cor passa a impressão de um produto industrializado demais ou de menor qualidade, mesmo que o frango tenha ótimo valor nutricional”, finaliza Juliana Forgiarini.
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