Uma tecnologia capaz de impactar setores estratégicos da economia mundial
Área de crescente interesse acadêmico e industrial e considerada uma tecnologia transformadora, a fotônica vem impactando diferentes setores pela versatilidade e potencial de aplicação em campos emergentes, como a computação quântica e inteligência artificial (IA). No solo marciano, a Nasa utiliza a fotônica para investigar sinais de vida antiga, enquanto na medicina brasileira, a aplicação permite diagnóstico precoce de tumores. No agro, técnicas espectroscópicas baseadas no uso de laser e inteligência artificial são capazes de não só quantificar como qualificar o carbono no solo do país.
Um exemplo é a Plataforma IA AGLIBS que avalia a pegada de carbono na lavoura e habilita a certificação internacional com o uso da espectroscopia de plasma induzido por laser (LIBS, na sigla em inglês). “A tecnologia permite financeiramente medir, reportar, verificar e comercializar o carbono na agricultura, ao mesmo tempo em que faz a gestão da fertilidade do solo e nutrição das plantas”, afirma a pesquisadora Débora Milori, da Embrapa Instrumentação (São Carlos-SP). Desenvolvida em parceria com a empresa Agrorobótica, a tecnologia que avalia mais de 20 parâmetros é uma revolução na maneira de analisar o solo em segundos.
Na área da saúde, Denise Zezell, presidente da Sociedade Brasileira de Óptica e Fotônica (SBFóton), afirma que uma das mais visíveis aplicações está no campo da biofotônica. “O uso de lasers na Odontologia, no diagnóstico precoce de tumores por espectroscopia, no tratamento de câncer por meio de fontes de luz e nas comunicações ópticas, permitiram a interconectividade e o rápido avanço da internet, diz ela que também é pesquisadora do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares/Comissão Nacional de Energia Nuclear (IPEN-CNEN).
Além das aplicações no planeta Terra, no espaço, a Nasa utiliza a fotônica em seus robôs Perseverance e Curiosity, enviados a Marte para explorar o solo marciano. A tecnologia é a LIBS, a mesma utilizada para mensurar o carbono em solo brasileiro.
Este será o tema discutido durante a 7ª edição da Conferência Internacional de Óptica e Fotônica (IOPC, na sigla em inglês), que será realizada no período de 21 a 24 de setembro, no Hotel Colina Verde, em São Pedro (SP), o cientista Ivair Gontijo, da Nasa, vai discutir técnicas ópticas e fotônicas e como elas estão sendo utilizadas para caracterizar amostras a serem trazidas de volta à Terra para estudos mais aprofundados.
A Conferência – IOPC – vai continuar com inscrições abertas para os interessados em participar até o primeiro dia do encontro, quando serão apresentados os avanços mais recentes da aplicação da fotônica. Considerada um dos fóruns mais relevantes da América Latina dedicados à óptica e fotônica, sua proposta é reunir pesquisadores, professores, estudantes e representantes da indústria, do Brasil e do exterior, e impulsionar a interação entre ciência, inovação e aplicação tecnológica. O evento é realizado pela SBFóton e Embrapa Instrumentação.

