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Uma leguminosa que aparece em pastos do nordeste é boa para enriquecer a alimentação animal

🕔25.Maio 2020

Erva de ovelhaÉ a erva-de-ovelha,  é boa opção para alimentação animal no Semiárido. Ela está presente em quase todos os estados do Nordeste, além de Amazonas, Pará, Goiás, Mato Grosso e sudeste de Minas Gerais, é uma boa alternativa para a alimentação dos rebanhos caprinos, ovinos, bovinos, equinos e muares porque possui alto valor nutritivo e garante o aporte de proteína de que os animais necessitam, além de auxiliar na fixação de nitrogênio no solo, tornando-o mais fértil.

Os estudos da Embrapa Caprinos e Ovinos (CE) indicam que a leguminosa forrageira popularmente conhecida como erva-de-ovelha (Stylosanthes humilis) tem potencial para incrementar a produção animal no Semiárido brasileiro. Na Região Nordeste, a erva-de-ovelha ocorre em quase todos os estados, nos chamados tabuleiros, que são áreas naturalmente abertas dentro da vegetação da Caatinga. Nelas predominam os planos solos, solos que apresentam média e baixa fertilidade e normalmente encharcam com facilidade e apresentam fissuras após secar, em virtude da elevada quantidade de argila.

O zootecnista da Embrapa Caprinos e Ovinos Éden Fernandes afirma que a planta tem grande importância para a produção animal, principalmente nos sistemas extensivos. “Ela é um componente-chave dessa atividade em uma região que tem um volume anual de chuvas muito baixo, mesmo para os padrões nordestinos.

O engenheiro agrônomo Fabiano Carvalho, professor do curso de Zootecnia da Universidade Vale do Acaraú (UVA), também acredita na importância da espécie para a pecuária na região semiárida. “Claro que existe hoje uma degradação muito grande, são quase 500 anos de exploração principalmente pela pecuária, então as principais forrageiras desapareceram.” Ele conta que, na década de 1990, foram feitos dois experimentos com a erva-de-ovelha. No primeiro, foi feita a exclusão de algumas áreas praticamente desertas, sem nenhuma vegetação, para impedir o acesso dos animais. Nelas foram plantadas outras espécies nativas como jurema-preta, sabiá, catingueira e pau-branco.

Na segunda experiência, houve apenas a separação sem a introdução de outras plantas. Após dois anos, o primeiro experimento resultou na recomposição da vegetação dessas áreas que estavam praticamente limpas; no segundo, observou-se elevado crescimento apenas da erva-de-ovelha nas áreas separadas, atingindo de 20 cm a 30 cm de altura. Carvalho conclui que o superpastejo, elevado número de animais por hectare, é um dos maiores problemas da pecuária na região.

Mas, apesar de seu valor para a pecuária da região, a herbácea nem sempre é reconhecida pelos agricultores e alguns até ignoram sua existência. (CE). A erva-de-ovelha é resistente ao pisoteio, à seca, a solos encharcados e a solos ácidos. Não tolera fogo e frio e precisa de um índice pluviométrico variando de 400mm a 1.500 mm para completar seu ciclo, dependendo da localização e tipo de solo. O crescimento e o desenvolvimento dessa espécie estão associados ao regime de chuvas. Ela floresce com as águas e no período de estiagem fecha seu ciclo lançando as sementes no solo como uma forma de se perpetuar de um ano para o outro.

Os pesquisadores comprovaram que é uma forrageira muito produtiva, especialmente para a pecuária leiteira. Não apresenta uma produção elevada de biomassa porque ocorre em pequenas manchas de solo. Segundo Carvalho, é diferente das cultivadas, como Mineirão e Campo Grande, que preferem solos de textura média, um pouco mais arenosos, e têm produção muito elevada, chegando a seis toneladas por hectare. “Em Irauçuba, quantificamos que o total de matéria seca por hectare fica em torno de 1.600 kg, no máximo, nos tabuleiros. Existe essa limitação porque normalmente são áreas de pastejo extensivo”, explica.

CITEquin - Hospital do Cavalo, Paudalho-PE