Nordeste Rural | Homepage


Queda na produção de laranja no cinturão citrícola de São Paulo e Triângulo Mineiro/Sudoeste de Minas Gerais

0 Comments 🕔12.Maio 2026

A safra de laranja 2026/27 do cinturão citrícola de São Paulo e Triângulo/Sudoeste Mineiro, principal região produtora de laranja para suco do mundo, é estimada em 255,20 milhões de caixas de 40,8 kg, segundo anúncio do Fundecitrus nesta sexta-feira (8/5). O volume representa uma redução de 12,9% em relação à safra anterior, que totalizou 292,94 milhões de caixas, e um recuo de 14,7% frente à média da última década.

A projeção de produção menor decorre da bienalidade (oscilação produtiva natural dos pomares entre um ano e outro), redução no número de frutos por árvore e do aumento da taxa de queda prematura, fatores que superam os efeitos positivos do maior peso dos frutos e da ampliação do número de árvores produtivas no parque citrícola.

De acordo com dados da Pesquisa de Estimativa de Safra (PES), as condições climáticas e a disponibilidade de irrigação tiveram papel determinante no perfil das floradas e no desempenho da produção. A estiagem em maio de 2025 provocou estresse hídrico nas plantas, posteriormente interrompido por irrigação nas regiões com maior proporção de áreas irrigadas, o que estimulou a primeira florada; ainda assim, o pegamento de parte dos frutos foi prejudicado por temperaturas acima da média em setembro.

Já nas áreas menos irrigadas, a primeira florada foi mais limitada, impactada tanto pelas temperaturas elevadas quanto pelo baixo volume de chuvas entre julho e setembro. A partir de outubro, porém, o retorno das chuvas — mais intensas e bem distribuídas — favoreceu a emissão da segunda florada, que predominou na safra como um todo. Embora as altas temperaturas de dezembro tenham prejudicado os frutos dessa florada, seu efeito foi parcialmente atenuado pelas chuvas abundantes de dezembro a março, que contribuíram para sustentar o pegamento e o desenvolvimento dos frutos. “Esse cenário não apenas afetou o potencial produtivo, como também impactou a uniformidade e a qualidade da safra, exigindo maior atenção no manejo”, afirma o gestor da PES, Guilherme Rodriguez.

Para o diretor-executivo do Fundecitrus, Juliano Ayres, a estimativa confirma um cenário mais complexo para a citricultura, marcado por clima irregular e pressão fitossanitária. “Esta é uma safra impactada pela variabilidade climática e pela maior pressão do greening, com efeitos no pegamento, na carga e na queda de frutos. Apesar de avanços no peso médio e no nível tecnológico dos pomares, o cenário exige rigor no manejo e monitoramento contínuo. Seguiremos apoiando o setor com dados, pesquisa e orientação técnica para mitigar perdas e sustentar a produção”, afirma. O último levantamento da doença realizado pelo Fundecitrus, em setembro de 2025, apontou que o greening atingiu 47,6% das laranjeiras do parque citrícola.

 

No Comments

No Comments Yet!

No one have left a comment for this post yet!

Write a Comment

<

CITEquin - Hospital do Cavalo, Paudalho-PE