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Resíduos da suinocultura produz um fertilizante com boa concentração de fósforo

0 Comments 🕔12.Maio 2026

Essa nova técnica é mais uma iniciativa da pesquisa agropecuária brasileira para diminuir a dependência do Brasil em relação à importação de insumos fosfatadas, que hoje chega a cerca de 75% da demanda nacional. O trabalho foi desenvolvido por cientistas da Embrapa Agrobiologia (RJ) que apontam que o uso da estruvita como um fertilizante de liberação lenta, produzido a partir de resíduos da suinocultura, é uma alternativa viável para reduzir a utilização de fertilizantes fosfatados importados nas lavouras de soja e trigo.

Experimentos em lavouras de soja, por exemplo, mostraram que o produto foi capaz de suprir em até 50% da demanda por fósforo, mantendo a produtividade de 3.500 quilogramas por hectare (kg/ha), semelhante à da soja nacional em 2025, que foi de 3.560 kg/ha com uso de fertilização convencional. O pesquisador da Embrapa Agrobiologia Caio de Teves Inácio, que é o coordenador do estudo, ressalta que não se trata apenas de substituir um fertilizante. “Estamos criando uma nova rota tecnológica para o campo brasileiro, alinhada à sustentabilidade, à autonomia e à inovação”, enfatiza.

A estruvita é um material formado por cristais de fosfato de magnésio e amônio, produzido a partir da precipitação química de nutrientes presentes nos resíduos da suinocultura. “Trata-se de um fertilizante que representa o conceito de economia circular aplicado à agropecuária. Transformamos um passivo ambiental, que são os efluentes animais, em um insumo agrícola de alto valor agregado”, explica o pesquisador.

Os experimentos no campo mostram ainda que a eficiência agronômica do fertilizante é superior em termos de recuperação do fósforo aplicado no solo. Os solos tropicais brasileiros, altamente desgastados pelo clima, tendem a fixar o fósforo rapidamente, limitando a eficiência dos fertilizantes convencionais. A liberação gradual da estruvita e sua reação alcalina mostraram-se aliadas no aumento do aproveitamento do nutriente.

As recomendações preliminares também indicam que a estruvita pode ser aplicada sozinha ou em combinação com fertilizantes solúveis, em doses que vão de 50% a 100% da recomendação agronômica de fósforo, dependendo da cultura e do solo.

Por conta disso, os pesquisadores desenvolveram e estão testando um fertilizante organomineral que combina nutrientes minerais com matéria orgânica. Em experimentos que avaliam a difusão de fósforo no solo, a formulação obteve resultados 50% maiores nos primeiros 28 dias em comparação com a estruvita granulada pura.

Os benefícios da adoção da estruvita não são apenas agronômicos, mas também econômicos e ambientais. “Estamos falando de uma tecnologia nacional, que reduz a dependência de insumos importados, reaproveita os nutrientes de resíduos agropecuários e melhora a eficiência do uso do fósforo, um recurso natural não renovável”, reforça Inácio.

Além de contribuir ainda para a diminuição do risco de contaminação ambiental por fósforo solúvel, o fertilizante mineral apresenta alta eficiência agronômica em solos tropicais, com elevada fixação de fósforo.

 

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