Nordeste Rural | Homepage


Uma iniciativa para fortalecer a conservação do umbu-cajá no nordeste

🕔23.Maio 2025

Agricultores e agricultoras familiares da região de Palmeira dos Índios, em Alagoas, estão contribuindo para a conservação da umbu-cajazeira (Spondias spp.). A árvore frutífera nativa do Semiárido brasileiro pertence à família Anacardiácea e produz o umbu-cajá, fruta com grande importância socioeconômica no Nordeste, muito usada na elaboração, principalmente, de sucos, geleias e sorvetes.

Por meio de uma pesquisa participativa coordenada pela Embrapa Alimentos e Territórios, de Maceió, em Alagoas, focada em conservar os recursos genéticos da planta, os agricultores estão colaborando com os trabalhos de campo. Os pesquisadores instalaram experimentos em três áreas produtivas para avaliar as características das plantas, a qualidade dos frutos e estimar, ao longo dos anos, a produtividade delas.

Para apoiar o manejo e a coleta dos dados em nível experimental, a equipe técnica da Embrapa desenvolveu uma solução tecnológica simples e instalou em campo um modelo que permite mensurar com segurança a colheita dos frutos nos quatro quadrantes das árvores selecionadas. “Durante os quatro meses de maior produção da safra, entre maio e agosto, os agricultores parceiros vão contar e pesar os frutos semanalmente. A ideia é que isso seja feito pelos próximos três anos”, conta a pesquisadora Semíramis Ramos, líder da pesquisa.

Os dados serão anotados em tabelas e repassados aos pesquisadores para análise. Com isso, será possível avaliar o potencial genético das plantas, cuja conservação está ameaçada no bioma, além de estimar a produtividade.

“A agricultura familiar tem uma importância muito grande na conservação dos recursos genéticos, em especial quando se trata de fruteiras. Várias espécies de fruteiras em todo o País, em especial na Região Nordeste, são preservadas graças ao uso pelos agricultores”, explica o chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa, Ricardo Elesbão Alves. “Como essas plantas são fonte de recursos para os agricultores, não só de alimentação mas financeiros, eles são os próprios guardiões e protetores dessas espécies”, afirma.

No Agreste alagoano, uma das principais regiões de presença nativa de umbu-cajazeiras, há variabilidade entre plantas e no tamanho e qualidade dos  frutos. Grande parte dos frutos umbu-cajá que se encontram nas feiras ou em produtos processados é de origem extrativista. As áreas também variam no tamanho e na produtividade.

 

CITEquin - Hospital do Cavalo, Paudalho-PE