Uma barreira natural para proteger a plantação de milho do ataque da lagarta-do-cartucho
A barreira natural e acessível ao produtor rural, reduzindo despesas e controlando a infestação do plantio. Para isso é preciso usar a crotalária como barreira no campo. Essa é a descoberta de uma pesquisa que validou a estratégia de plantar crotalária nas bordas da lavoura de milho, criando uma barreira física que protege as plantas de milho e reduz a infestação naturalmente. Essa solução de baixo custo é uma alternativa aos métodos tradicionais, como o uso de milho geneticamente modificado (milho Bt), que pode ter um alto custo e levantar preocupações sobre o desenvolvimento de resistência da praga a longo prazo. Além disso, é um método de controle importante para cultivos orgânicos e outros sistemas agroecológicos.
Embora alguns pequenos produtores brasileiros já utilizem a crotalária como planta-companheira do milho, a pesquisa fornece a base científica para entender o mecanismo por trás do sucesso da estratégia. De acordo com a pesquisadora da Embrapa, Maria Carolina Blassioli-Moraes, esse conhecimento é crucial para que, no futuro, o melhoramento genético das plantas não afete essa interação benéfica com outros organismos.
O próximo passo da equipe, como explica Blassioli, é levar o conhecimento do laboratório para o campo, trabalhando em conjunto com pequenos produtores. A ideia é propor e acompanhar experimentos que validem o uso da crotalária como planta-companheira em uma escala maior, avaliando seu efeito a longo prazo no controle da praga. “Essa colaboração não só irá testar a eficácia da técnica em diferentes condições de cultivo, mas também fornecerá dados práticos para aprimorar as estratégias de manejo integrado”, complementa.
A lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda) é uma das pragas mais destrutivas para a agricultura brasileira. De acordo com informações da Embrapa, esse inseto é altamente polífago, o que significa que ataca não apenas o milho, mas também diversas outras culturas de importância econômica para o País, como soja, algodão e arroz.
Segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o inseto-praga é especialmente voraz nas plantações de milho, atacando a planta em todas as suas fases de desenvolvimento. As lagartas se alimentam das folhas e do cartucho, a parte central da planta, causando danos diretos que podem levar à redução drástica na produtividade e, em casos de infestações severas, à perda total da lavoura. A grande capacidade de adaptação do inseto, somada ao seu ciclo de vida rápido e à capacidade de gerar múltiplas gerações em uma mesma safra, torna o controle da Spodoptera frugiperda um desafio constante para os produtores rurais.

