Uma análise da sustentabilidade para crescimento da pecuária
Sustentabilidade é oportunidade para quem está praticando e ameaça para quem não está fazendo. E quem não se dedicar, vai acabar fora do mercado. A afirmação é da coordenadora executiva do GTPS (Mesa Brasileira de Pecuária Sustentável), Luiza Bruscato, ao defender a aplicação de princípios ambientais, econômicos, sociais na bovinocultura de corte, durante uma live.
Segundo Luiza há uma série de práticas sustentáveis e tecnologias disponíveis, que os pecuaristas podem escolher. “Não existe uma resposta certa sobre a prática ideal para maior sustentabilidade. A Integração Lavoura-Pecuária-Floresta, por exemplo, é uma prática interessante, mas não é indicada para todas as fazendas. Para se chegar à resposta ideal, precisa se levar em conta os investimentos necessários e a própria aptidão do pecuarista. Existe uma série de soluções e, cada uma, é adaptável a uma determinada fazenda”.
Associado ao GTPS e diretor da Athenagro, Maurício Nogueira, confirmou as desvantagens do pecuarista não sustentável. “Atualmente quem mais oferta é a produção tecnificada. Ou faço ou estou fora. Ou se adapta a um sistema de produção mais eficiente ou vai ficar de fora do mercado nos próximos anos”, enfatiza.
Sinalizando dados do setor, Nogueira citou campanhas contra o consumo de proteína animal, apresentando que essa não é a saída. “O ser humano está atrás de proteína. Se privarmos ele a ter acesso à proteína de qualidade, ele vai buscar na natureza. Cerca de 800 milhões de pessoas atualmente, principalmente na África e na Ásia, vão atrás de carne exótica, afrontando a fauna e, consequentemente, a flora, buscando o próprio alimento. Temos de atender essa demanda mundial”, apresenta.
“Somos o segundo maior produtor de carne bovina no mundo, atrás dos Estados Unidos. Mas o Brasil é mais produtivo, quando se compara com a pecuária americana”, completa o representante da Athenagro, ao sinalizar que mesmo à frente dos EUA, o Brasil ainda tem alto potencial de se tornar mais produtivo.
Ele ainda emenda colocando o pecuarista brasileiro como grande fornecedor de alimento. “Mesmo atendendo pouco, perto do potencial que temos, estamos consolidados no mercado internacional. Vamos exportar mais que a soma do segundo e terceiro colocado no ranking, quanto às exportações”.
No que se refere ao desmatamento, Nogueira esclarece que a comunicação tem papel fundamental para desmistificar questões que ligam o crime à pecuária. “O grande peso que temos hoje, na questão de sustentabilidade e da realidade brasileira, é a desinformação e o preconceito. Temos algumas questões a levar em consideração: a pecuária não precisa de desmatamento, é o desmatamento que precisa da pecuária. Precisamos combater o mercado informal”, finaliza Maurício Nogueira, fazendo referência ao desserviço contra o pecuarista, praticado por quem comete crime contra a Amazônia.

