Um bom momento para o crescimento da produção de canola
As oportunidades de aumento de lucratividade pela expansão do cultivo da canola foi um dos temas no 9º Curso de Capacitação e Difusão de Tecnologia em Canola, que reuniu diversos representantes da cadeia produtiva brasileira, na Embrapa Trigo, em Passo Fundo, no Rio Grande do Sul. O aumento dos percentuais de biodiesel nos combustíveis pode favorecer à expansão da canola no Brasil.
A previsão para um bom momento da produção de canola se deve ao fato de que, no mês passado, foi sancionada pela Presidente Dilma a lei n° 13.263, que estabelece novos percentuais de adição obrigatória de biodiesel ao óleo diesel vendido ao consumidor. Conforme a lei, o volume de biodiesel acrescentado deverá ser de 8% até 2017, passará para 9% em 2018, chegando a 10% até 2019. A iniciativa visa cumprir as metas internacionais para redução de emissões de gases de efeito estufa. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, o uso de biodiesel permitirá reduzir a emissão de 48 a 60 milhões de toneladas de gás carbônico até 2020.
De acordo com estudo da FIPE/USP, de 2008 a 2012, quando a mistura de biodiesel no diesel passou de 2% para 5%, o valor agregado pela produção do biocombustível ao PIB foi de R$ 12 bilhões. No mesmo período, a economia de importação de diesel na balança comercial foi de R$ 11,5 bilhões.
De acordo com o pesquisador da Embrapa Trigo, Gilberto Tomm, a principal vantagem da canola para a indústria de biodiesel está no teor de óleo, enquanto que nos grãos de canola o índice chega a 40%, nos grãos de soja o teor médio de óleo é de 18%. De acordo com o pesquisador, existe enorme demanda por óleo de canola no mercado nacional e internacional.
Para o analista da Embrapa Trigo Paulo Ernani Ferreira, “o Brasil possui uma fantástica oportunidade para a expansão da canola, empregando as mesmas terras, máquinas, armazéns e outros recursos empregados na produção, estocagem e industrialização de grãos, otimizando o retorno dos meios disponíveis, aumentando a produção e a renda, sem necessidade de derrubar florestas ou ocupar áreas de pastagens”. Segundo ele, existe conhecimento disponível, políticas públicas de seguro agrícola e, principalmente, mercado consumidor.
Atualmente, a soja é a principal fonte de matéria-prima para biocombustíveis no Brasil. Segundo a analista da Embrapa Agroenergia, Daniela de Souza, a soja representa 76% do biodiesel produzido, seguida da gordura animal 19% e do algodão 2%. Em 2015, a demanda do mercado brasileiro de biodiesel foi de cerca de 4 bilhões de litros, conforme números do grupo BiodieselBR.

