Um avanço importante no controle do carrapato
No mundo, há quase 900 espécies de carrapatos. Mais assustador do que exibir números são os prejuízos causados. A espécie Rhipicephalus (Boophilus) microplus, o carrapato-do-boi, no Brasil, é a responsável por muitos danos nos rebanhos de pecuária de corte e leiteira. Estimativas calculam que as perdas em bovinos chegam a U$ 3,24 bilhões ao ano, somente no País.
Após dois anos de estudo, a equipe liderada pelo pesquisador da Embrapa Renato Andreotti concluiu o genoma funcional do carrapato ou transcriptoma, um banco de dados que expressa o funcionamento do metabolismo desse artrópode, abrindo caminho para a elaboração de novos antígenos para o desenvolvimento de vacinas.
“O genoma total do carrapato é duas vezes o tamanho do genoma humano. É muita informação e a um custo elevado. O genoma funcional trabalha somente com a expressão do RNA mensageiro, aquilo que os genes atuam para mover o metabolismo do carrapato. É a parte expressa do genoma”, explica Andreotti.
A expectativa é gerar uma análise de candidatos a antígenos e selecioná-los por critérios fisiológicos e bioensaios. Os promissores serão testados em raças bovinas susceptíveis, como cruzados e taurinos. Hoje, em Campo Grande (MS), a equipe de Andreotti na Embrapa Gado de Corte avalia um antígeno com 72% de eficácia. A proposta é agregar as informações do transcriptoma a essas já obtidas e gerar um material polivalente. Para isso, serão necessários, no mínimo, mais dois anos de experimentos e os dados serão disponibilizados aos projetos com linhas de pesquisa semelhantes.

