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Técnica ajuda a reduzir o tempo de validação das mudas de abacaxi

🕔10.dez 2024

Microrganismos benéficos associados ao gênero Ananas apresentam grande potencial para atuarem como promotores de crescimento na cultura do abacaxizeiro. Pesquisa realizada com a variedade de abacaxi BRS Imperial mostra que a utilização desse processo, chamado de microbiolização, pode acelerar em até 34% o tempo de aclimatização das mudas micropropagadas.

Essas bactérias que se mostraram promissoras vão seguir também para testes em condições de campo. Uma boa notícia para viveiristas e abacaxicultores, já que o período de produção de mudas é um dos principais gargalos da cultura por ser muito longo, podendo levar até um ano, dependendo da variedade utilizada e das condições de plantio.

Esse é o resultado de estudo da Embrapa em conjunto com a Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e publicado na revista Scientia Horticulturae, da editora holandesa Elsevier. O trabalho mostra também outras vantagens do processo de microbiolização, como a obtenção de mudas com maior vigor e mais sadias. A pesquisa integra o conjunto de esforços da Empresa na busca de um sistema de produção do abacaxizeiro mais sustentável.

“A utilização de microrganismos como promotores de crescimento não é novidade. No entanto, essa abordagem, que utiliza bactérias do próprio microbioma do abacaxi, é nova. Nosso estudo investigou o potencial de crescimento dos isolados e o microbioma do solo associado ao abacaxi, visando minimizar perdas, promovendo o crescimento e reduzindo o tempo de aclimatização de mudas, na tentativa de oferecer aos produtores um material propagativo de melhor qualidade”, ressalta a pesquisadora da Embrapa Mandioca e Fruticultura (BA) Fernanda Vidigal, líder do projeto “Uso de insumos biológicos na produção de mudas e melhoria do cultivo do abacaxizeiro” — financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e continuação de outros projetos custeados pela Embrapa. Ela é uma das coordenadoras dos estudos que integram o artigo baseado na dissertação de mestrado de Polyana Santos da Silva e na tese de doutorado de Cintia Paula Souza, ambas pela UFRB.

Silva ressalta o diferencial da utilização de microrganismos relacionados ao ambiente do abacaxi. “Esses microrganismos já coevoluíram, são adaptados ao microbioma da planta. Os resultados acabam sendo mais promissores porque não temos a necessidade de verificar se vai ter algum antagonismo, alguma incompatibilidade. Estudos anteriores mostraram que, em vários ambientes, as espécies de microrganismos associadas ao abacaxi eram basicamente as mesmas. Daí conseguimos identificar quais são os isolados que estão ali causando essa promoção de crescimento”, afirma Silva, hoje doutoranda em Ciências Agrárias da UFRB.

“Nossas pesquisas são sempre baseadas no BRS Imperial e no Pérola, os abacaxis mais consumidos do País. O protocolo para a multiplicação de mudas de abacaxi via micropropagação não tem mistério. O problema é o tempo que a muda micropropagada leva na etapa de aclimatização em casa de vegetação. Para se ter uma ideia, uma muda de banana, com 45 dias, pode sair da casa de vegetação e ir para outra etapa. A de abacaxi não, isso pode levar meses, o que encarece demais a muda”, compara Vidigal. Ainda fazendo um paralelo com a cultura da bananeira, ela lembra que a densidade do abacaxi no campo fica entre 30 mil a 40 mil plantas por hectare, bem diferente da banana, produzida por cerca de mil plantas na mesma área. É grande, portanto, a demanda por mudas sadias e em larga escala. Por isso, é importante investir na redução desse tempo na produção da muda. “Os resultados têm sido tão animadores que começamos também a trabalhar com os novos híbridos que estão em rota de lançamento”, anuncia a pesquisadora da Embrapa.

 

 

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