Setor de exportação de madeira pede negociação urgente para as tarifas de Trump
As novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos de madeira brasileiros colocam em risco um dos mercados mais estratégicos para o setor florestal nacional. A avaliação foi feita pelo CEO da WoodFlow, Gustavo Milazzo, o presidente da Associação Catarinense de Empresas Florestais (ACR), Jose Mario Ferreira, e o presidente da Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal (APRE Florestas), Fabio Brun.
Segundo eles, o impacto é especialmente grave no Sul do país, onde a dependência do mercado americano é maior. Em alguns segmentos do ramo madeireiro, como portas, molduras e pisos, a participação dos EUA nas exportações chega a ultrapassar 80%. “É uma situação que vai deixar cicatrizes no setor, mas também pode trazer experiência e abrir oportunidades para mudanças estruturais”, afirmou Fabio Brun.
Apesar das dificuldades, o Brasil mantém vantagens competitivas globais, como produtividade florestal superior à de outros países e produtos que atendem nichos específicos no mercado internacional. “O setor madeireiro brasileiro é consolidado e resiliente. Já superamos outras crises e podemos sair mais fortes, desde que haja uma ação coordenada para negociar com os Estados Unidos e preservar os empregos e investimentos na cadeia produtiva”, ressaltou Jose Mario Ferreira.
Diante do cenário, os empresários reforçaram que a negociação direta entre Brasil e Estados Unidos é urgente para evitar perdas irreversíveis de mercado. O diálogo bilateral pode abrir caminho para a revisão ou redução das tarifas, permitindo que as exportações brasileiras retomem competitividade e preservem o relacionamento histórico e interdependente com o país norte-americano.
Além disso, destacaram que medidas governamentais de apoio ao setor serão fundamentais para atravessar os próximos seis meses, período estimado para que o mercado se acomode à nova realidade. Incentivos fiscais, linhas de crédito emergenciais e políticas de manutenção de empregos podem ser decisivos para impedir o fechamento de empresas e a perda de mão de obra qualificada.
Para Gustavo Milazzo, o momento exige união entre indústrias, associações e governos estaduais e federal. “É urgente abrir um canal de negociação para reverter ou mitigar as tarifas. Sem isso, corremos o risco de perder espaço em um mercado vital para a madeira brasileira”, pontuou.

