Sementes de urucum com mais teor de corante
As novas sementes de urucum com alto teor de bixina, o corante produzido pela planta e usado pela indústria e consumidores foram apresentadas pelo IAC – Instituto Agronômico de Campinas, em São Paulo, durante o Encontro sobre o Agronegócio da Cultura do Urucum, em Pindorama. A coleção de urucum do IAC possui materiais com teor de bixina acima de 6%, substância corante que torna a cultura atrativa para a indústria e aumenta o valor pago aos produtores.
No século XIV, os índios brasileiros utilizavam o urucum como matéria-prima para a produção de tinturas vermelhas usadas para proteger a pele contra a ação do sol e de picadas de insetos. Atualmente, o urucum é utilizado amplamente na indústria de alimentos, bebidas, massas, laticínios, embutidos, condimentos, cosméticos, têxtil e na indústria farmacêutica.
O IAC, segundo Eliane Gomes Fabri, uma de suas pesquisadoras, a indústria exige que o material possua, no mínimo, 4% de teor de bixina. Normalmente, os materiais adquiridos pelas empresas apresentam de 4% a 5,5%, mas a média nacional de bixina entre os produtores é de 3,5%. A remuneração dos produtores está relacionada ao teor deste componente. “Dentro da coleção do IAC há variedades com o teor acima de 6%. A indústria paga em média R$1,00 por ponto de bixina, dessa forma uma cultivar que apresente teor de 4% receberá R$ 4,00 por quilo”, diz Eliane. O urucum é considerado uma planta rústica e tem manejo simples. As recomendações para a cultura são, basicamente, fazer o plantio durante o período chuvoso, preparo do solo e controle do mato na entrelinha, utilizando sempre a roçadeira ao invés de grade aradora. Os produtores podem utilizar o consórcio no início do plantio ou adotar o sistema agroflorestal.
De acordo com a pesquisadora do IAC, o arado corta as raízes, facilitando o surgimento de doenças causadas por fungos como a podridão das raízes e secamento das plantas por Pythium sp, outras doenças da parte aérea da planta que podem ocorrer são o oídio e cercosporiose. As principais pragas da cultura do urucum são formigas, percevejos, ácaros e cochonilhas. Outro cuidado recomendado pela pesquisadora do IAC recai sobre a colheita, que deve ser realizada quando os frutos dos cachos estiverem secos, cerca de 20% a 30%. “Se colhido verde, o produto terá maior índice de bixina, mas apresentará baixo peso e o material estará enrugado, dificultando a retirada da bixina durante o processamento industrial, não sendo atrativo para a indústria”, explica.

