Semana de citricultura acontece no interior de São Paulo
A 37ª Semana de Citricultura, 46º Dia do Citricultor e 41ª Expocitros, que serão realizados até a próxima quinta feira, no Centro de Citricultura “Sylvio Moreira” do IAC, em Cordeirópolis, interior paulista. Outras novidades serão apresentadas em palestras por pesquisadores do Instituto Agronômico. Um dos principais temas do encontro será sobre o impacto do HLB – o huanglongbing – na qualidade de sementes de porta-enxertos de citros.
O huanglongbing (HLB), é considerada a principal doença da citricultura mundial. Atualmente, pesquisa inédita desenvolvida pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, por meio do Instituto Agronômico (IAC), de Campinas, vem trazer resultados sobre os impactos do HLB sobre as sementes dos porta-enxertos de citros, parte da planta que fica sob o solo, onde é feita a instalação da planta que origina a copa. Os estudos concluíram que o HLB impacta negativamente a produção de sementes dos dois principais porta-enxertos — o limão-cravo e o citrumelo Swingle — adotados na citricultura paulista. Juntos eles representam mais de 80% dos porta-enxertos dos pomares no Estado de São Paulo. “Não há transmissão de HLB por sementes, mas a doença tem impactos negativos na qualidade delas”, afirma o pesquisador do Instituto Agronômico, Fernando Alves de Azevedo.
Os resultados dessa pesquisa conduzida no IAC mostram perdas de 38% no peso total do fruto produzido por plantas contaminadas pelo HLB. O fruto sadio pesa 166 gramas, em média, já o doente chega a 115 gramas. A altura do fruto cai de 6,8 cm para 6,0 cm nos frutos contaminados. Esse conjunto de características torna os frutos imprestáveis para o comércio citrícola.
“Os resultados mostraram que os frutos de plantas com HLB apresentaram menor desenvolvimento em altura, diâmetro e massa devido ao entupimento dos vasos do floema pela bactéria causadora do HLB, reduzindo, dessa forma, o fluxo de seiva para os frutos”, explica Azevedo, que trabalha em parceria com a mestranda Marília Morelli e o pesquisador Helvécio Della Coletta Filho, também do IAC.
No Brasil, somente o Instituto Agronômico desenvolve este trabalho. No exterior há estudos sobre porta-enxertos, mas lá fora são adotados outros materiais. O limão-cravo, o mais usado nos pomares brasileiros, não é utilizado em nenhum outro país.

