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Reaproveitamento de água para criação de peixes e produção de plantas ornamentais

🕔13.out 2021

Pesquisadores da Embrapa Instrumentação (SP) desenvolveram uma miniestação para tratamento de efluentes de viveiros escavados e que ainda produz flores. Chamada de Jardim Aquícola, ela trata esses efluentes que definem excrementos de peixe, restos de ração não consumida, algas e micro-organismos, e reaproveita os nutrientes na água para a produção comercial de plantas ornamentais, como os copos-de-leite ( Zantedeschia etiopica ). Originário da África do Sul, o copo-de-leite é a segunda planta ornamental mais exportada pelo Brasil e conta com uma demanda mundial crescente, sendo capaz de contribuir para a sustentabilidade econômica da tecnologia.

O Jardim Aquícola se destaca dos métodos convencionais por apresentar custo de construção e operações relativamente baixos, fácil manutenção, baixo consumo de energia, além de dispensar a necessidade de produtos químicos e reduzir a matéria orgânica dissolvida e em suspensão. A água tratada pode ser reutilizada para diversas atividades. A tecnologia ainda reduz a pegada hídrica da piscicultura, que é o volume total de água-doce aproveitado no ciclo completo de produção.

Se o manejo não for adequado, a água descartada do tanque escavado, sem tratamento, pode ser um problema da produção de peixes, porque é rica em matéria orgânica que, ao ser lançada em um rio, pode reduzir a disponibilidade de oxigênio da água e levar à redução das taxas de crescimento ou à mortalidade de peixes nativos daquele corpo d’água. Além disso, à medida que se descarta água rica em matéria orgânica e sem o tratamento, mais pressão é gerada nas fontes de abastecimento.

A miniestação faz uma “combinação de processos físicos e biológicos que compõe o sistema de tratamento possibilita uma melhoria acentuada na qualidade da água a ser tratada, sem a utilização de produtos químicos. Possibilita ainda o reuso da água tratada nos tanques próprios de produção, auxiliando o uso racional do recurso natural ”, detalha o pesquisador Wilson Tadeu Lopes da Silva , à frente do projeto. O estudo contou com a participação de estudantes da Universidade Federal de São Carlos ( UFSCar ).

Em sistemas de aquicultura intensiva, os tanques de produção são povoados com grandes quantidades de peixes que são alimentados com ração. Se o manejo e o arraçoamento dos peixes não principais realizados de maneira correta, pode resultar em problemas ambientais, como o aumento de resíduos sólidos e eutrofização. Esse fenômeno ocorre devido ao aumento de nutrientes, em especial fósforo e nitrogênio, que estimula a produção primária do ambiente, pela multiplicação de micro-organismos como algas e cianobactérias no ambiente aquático.

A proposta do Jardim Aquícola vai ao encontro das recomendações preconizadas pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura ( FAO ), de que a adoção de boas práticas na criação de peixes evita impactos ambientais. O reúso da água é uma delas.

 

 

 

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