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Produtores de arroz estão preocupados com a queda no preço do produto

Produtores de arroz estão preocupados com a queda no preço do produto

🕔20.ago 2025

A queda nos preços do arroz, influenciada pelo aumento da oferta interna e por oscilações do mercado internacional, tem gerado preocupação no setor orizícola. Para o Sindicato das Indústrias de Arroz de Santa Catarina (SindArroz-SC) as constantes variações do preço afetam diretamente o estoque das indústrias e podem impactar até mesmo na próxima safra. Pensando em evitar ainda mais desgaste, a entidade avalia que o equilíbrio entre produtores, indústrias e consumidores seria o ideal para a manutenção de toda a cadeia produtiva.

Conforme dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o Brasil produziu 12,3 milhões de toneladas de arroz neste ano, um número consideravelmente maior do que as 11,7 milhões de toneladas estimadas inicialmente. Um cenário de superoferta que também se repete no Mercosul. Segundo números do AgroDados Inteligência em Mercados de Arroz, a expectativa inicial era de até 16,5 milhões de toneladas para os países do bloco (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai), mas a produção superou os 17 milhões de toneladas.

Conforme alertam os presidentes do SindArroz-SC, Walmir Rampinelli, e da Associação Brasileira da Indústria do Arroz (Abiarroz), Renato Franzner, o aumento significativo gerou estoques elevados em toda a cadeia. Ao mesmo tempo, observa-se uma redução no consumo interno, especialmente entre as novas gerações, o que agrava ainda mais o desequilíbrio entre oferta e demanda.

O cenário se torna ainda mais desafiador, conforme Rampinelli, com a reabertura das exportações de arroz pela Índia e o aumento da competitividade dos Estados Unidos no mercado global. Diante do câmbio desfavorável, o Brasil optou por reduzir suas exportações, o que pressionou os preços internos, que chegaram a recuar para a casa dos R$ 60 a saca de 50 kg em algumas semanas.

A semeadura da safra 2025/26 deve começar agora, entre agosto e setembro, podendo se estender até outubro em algumas regiões. No entanto, de acordo com o presidente do SIndArroz-SC, o atual contexto pode desestimular os produtores a investirem na lavoura, o que comprometeria a eficiência produtiva.

“Santa Catarina poderá manter sua produtividade, desde que o clima se mantenha favorável. Porém, diante dos preços baixos, os agricultores devem buscar alternativas para reduzir custos, especialmente no uso de insumos essenciais como adubo e ureia, o que pode afetar a qualidade da produção”, afirma Rampinelli.

As indústrias orizícolas, elo fundamental entre o campo e o consumo, enfrentam pressão tanto de produtores quanto do varejo. Com margens reduzidas e estoques elevados, as empresas operam em um ambiente de alta complexidade e buscam soluções para manter sua competitividade.

“As indústrias precisam trabalhar e vender. Até a próxima safra, devemos permanecer em um empate, mas precisamos de preços mais atrativos para o próximo ciclo, pensando também nos produtores, pois estamos ao lado deles. Queremos que o preço do arroz reaja e se mantenha justo, sem tantos picos para cima ou para baixo. Hoje, as indústrias estão com margens apertadas e baixo resultado, mas precisamos acreditar que haverá recuperação”, enfatiza o presidente do SindArroz-Santa Catarina.

 

 

 

 

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