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Produtor rural pode controlar 18 pragas que atacam as plantações de macadâmia no Brasil

🕔13.ago 2025

A produção brasileira de noz-macadâmia ganhou um reforço tecnológico importante para enfrentar os desafios fitossanitários da cultura. Desenvolvido pela Embrapa Meio Ambiente (SP), o sistema InsetoNutWeb reúne um acervo inédito de informações sobre a entomofauna e a acarofauna — conjunto de insetos e ácaros, sejam pragas ou inimigos naturais — registrados em plantações de macadâmia no Brasil e no exterior. A ferramenta é gratuita e pode ser acessada por computadores e tablets com sistemas iOS e Android.

Trata-se de um sistema web em linguagem computacional, que abrange hipertextos (HTML e PHP) e banco de dados (MySQL), disponibilizando acesso on-line via internet a informações elevadas sobre insetos e ácaros-pragas de interesse para o cultivo da macadâmia. É inovador, uma vez que não existe no País tecnologia semelhante com foco nessa noz.

A iniciativa é fruto do acordo de cooperação técnica entre a Embrapa e a empresa QueenNut Indústria e Comércio de Alimentos Ltda ., com execução entre setembro de 2019 e setembro de 2024 operacionalizada pelo projeto InsetoNut ( Levantamento da Entomofauna Associada Presente e Identificação de Insetos-Pragas Exóticos Ausentes, com Potencial de Dano ao Cultivo da Macadâmia ).

Esse projeto tratou tanto da identificação das previsões e espécies benéficas associadas ao cultivo da macadâmia em áreas produtoras do Brasil, quanto das respostas informadas como presentes em países produtores da noz no exterior: Austrália, África do Sul, China, Colômbia, Coreia, Costa Rica, Egito, Estados Unidos (Havaí), Guatemala, Índia, Irã, Israel, Malaui, Nova Zelândia, Paraguai, Quênia, Reino Unido, Tailândia e Vietnã.

A partir do levantamento de previsões de noz nesses países, o projeto de regulamentação 18 especificações exóticas sinalizadas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária ( Mapa ) como Pragas Quarentenárias Ausentes ( PQA ) para o Brasil, e, portanto, de risco iminente de entrada no País com potencial de causar prejuízos a vários cultivos nacionais. Na identificação de insetos e ácaros, a pesquisa também anunciou, posteriormente, várias informações para subsidiar a identificação, o monitoramento e o manejo das espécies identificadas; tanto na literatura quanto nas áreas de macadâmia avaliadas pelo projeto.

O trabalho de avaliação da entomofauna presente em plantios no Brasil ocorreu principalmente na área de Dois Córregos (SP) — importante polo produtor do noz nacional. O levantamento de insetos e ácaros foi realizado em duas cultivares de macadâmia: IAC 4-12B e HAES 333, de onde foram coletados ramos, folhas, racemos e frutos, de 2020 a 2025, os quais foram levados para o Laboratório de Entomologia e Fitopatologia (LEF) da Embrapa Meio Ambiente para análise, registro, separação (parataxonomia) e armazenamento do material.

O sistema InsetoNutWeb foi desenvolvido pela analista Cláudia Crecci , com a participação das pesquisadoras Jeanne Prado e Maria Conceição Pessoa, todas da Embrapa Meio Ambiente, e do engenheiro agrônomo Leonardo Moriya da QueenNut.

Segundo Prado, líder do projeto InsetoNut, o sistema se destaca pela interface interativa, que permite a busca por informações detalhadas sobre as espécies identificadas. “O usuário pode consultar dados como o hábito alimentar dos insetos e ácaros e o local da planta onde foram encontrados, além de acessar fotos das espécies coletadas, o que facilita a avaliação da amostragem em campo e a aplicação de Programas de Manejo Integrado de Pragas (MIP)”, explica. A pesquisadora acrescenta que, para a área produtora de Dois Córregos (SP), foram encontradas diversas espécies de inimigos naturais e polinizadores, que podem contribuir para os aspectos produtivos da noz.

Para Pessoa, as informações sobre as principais pragas que afetam a cultura em outros países, agora disponibilizadas no InsetoNutWeb, são fundamentais para desenvolver ações preventivas à entrada de espécies ainda não registradas em território nacional, que podem comprometer a macadâmia e outros cultivos hospedeiros identificados para esses insetos-pragas, muitos dos quais polífagos.

Ela destaca ainda que se trata de espécies de interesse prioritário para a Defesa Fitossanitária Nacional, exigindo atenção especial. “Muitas são as espécies de pragas relatadas no exterior e com possibilidade de ingresso no país, sendo necessário conhecê-las para realizar prevenção e monitoramento apropriados”, complementa.

 

 

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