Preparando o solo para cultivo da mandioca nas região de pouca chuva
No semiárido brasileiro, os plantios de mandioca costumam ocorrer em terrenos caracterizados por possuírem alta quantidade de areia e baixa fertilidade, os chamados argissolos. Corrigir esse problema é um caminho importante para os agricultores melhorarem a produtividade e a renda obtida com a cultura. A pesquisadora Aline Áurea Florentino Silva, da Embrapa Semiárido (Petrolina-PE), explica as vantagens da adoção da técnica de correção do solo para plantio da mandioca. Para que o solo seja corrigido de forma eficiente, a primeira providência tomada pelo agricultor precisa ser a análise da terra em laboratório. O resultado irá indicar deficiências de nutrientes que, no caso dos argissolos do semiárido, são resolvidas por meio do calcário. Esse insumo é adequado para equilibrar a acidez e melhorar a absorção do fósforo pelas plantas. Este nutriente essencial para o desenvolvimento da mandioca.
A pesquisadora diz que a correção do solo é um investimento duradouro. “Após sua aplicação, uma boa quantidade desse insumo permanece no solo por mais de quatro anos. É um período que torna a relação custo-benefício bem favorável ao investimento na melhoria da fertilidade da área de cultivo”. No projeto teste, em Caiçara, o desempenho melhor foi registrado com a Gema de Ovo: 36,7 t/ha de raiz e 18,7 t/ha de parte aérea. A produção elevada de folhas e ramos destaca a qualidade forrageira da variedade e a vantagem do seu cultivo para formar estoque de alimentos ensilados ou fenados para alimentar os rebanhos no período seco.
Os testes foram realizados em 2010 e 2011 e, em Pereiros, mesmo com chuvas médias abaixo do normal, a colheita de raiz da variedade Brasília (23,4 t/h a) foi quase o dobro da alcançada pelos agricultores da região (12 t/ha). Os resultados também são satisfatórios para a parte aérea (folhas e galhos): mais de 15,8 t/ha. Aline explica que os resultados alcançados pela correção e adubação do solo em Pereiros, Caiçara e Mudubim já estão sendo replicadas pelo IPA em outras comunidades de Petrolina. “São técnicas baratas, fáceis de manejar e levam as colheitas dos mandiocais para outro patamar produtivo”, afirma.

