Pesquisadores trabalham para domesticar a macaúba no nordeste
A palmeira ainda é uma planta em processo de domesticação. Ou seja, há carência de conhecimento sobre a espécie e informações limitadas sobre tecnologias para plantio, adubação, combate a pragas e doenças, colheita. Com a finalidade de dar respostas com embasamento científico a essas questões, pesquisadores da Embrapa estão conduzindo três experimentos em Barbalha e Parnaíba.
O pesquisador da Embrapa Agroenergia (DF) Alexandre Cardoso, acredita que, com o cultivo da macaúba, pode ser organizada uma cadeia produtiva que melhore as práticas de obtenção e processamento da matéria-prima, dando origem a produtos com mais qualidade e que resultem em maior renda para os produtores.
Enquanto esperam os primeiros frutos da macaúba, nos projetos experimentais, os pesquisadores avaliam a eficiência de sistemas agroflorestais com a palmeira. Para isso associaram cultivos no mesmo campo, enquanto esperam a macaúba dar os primeiros frutos. Os pesquisadores já avaliam a produção de feijão-caupi e milho entre as fileiras de mudas da palmeira. Com duas safras colhidas, já se observou que não há efeitos negativos de uma cultura sobre a outra.
No campo de Parnaíba, a média de colheita anual tem sido de 1.100 quilos por hectare para o feijão e de 2.500 quilos por hectare para o milho. O pesquisador Humberto Umbelino de Sousa avalia que a produtividade é satisfatória, considerando as variedades e tratos culturais utilizados. No caso do milho, a equipe escolheu uma variedade rústica, com condições de produção próximas às que a comunidade local está acostumada e adequada para as condições de cultivo da região.
Quando a macaúba já estiver com porte alto, também poderá ser testada na área a criação de animais. A planta dá sombra, proporcionando conforto térmico, e pode ter algumas partes do fruto utilizadas como ração para os bois, cabritos e outros animais.
O segundo experimento avalia plantas originadas de diferentes regiões de Minas Gerais e do Ceará, com o objetivo de identificar quais seriam mais adequadas para o cultivo no Nordeste. O pesquisador Bruno Galvêas Laviola, da Embrapa Agroenergia, explica que não necessariamente as plantas originárias de determinada região são as melhores escolhas para plantios comerciais naquela área. “Genótipos de outros locais podem responder melhor ao fornecimento de nutrientes, água, controle de pragas. Por isso, é importante esse tipo de avaliação”, explica.

