Pesquisadores desenvolvem um novo alimento derivado da castanha de caju
O produto é análogo ao queijo cremoso vegetal e simbiótico. A formulação combina Bifidobacterium, gênero de bactérias benéficas, e fibras prebióticas, resultando em uma simbiose capaz de favorecer a saúde intestinal e fortalecer a imunidade. O novo produto também apresenta vantagens para a indústria, porque aproveita amêndoas de castanha de caju (ACC) quebradas que possuem o mesmo valor nutricional das amêndoas inteiras.
“Buscamos desenvolver uma alternativa vegetal saudável, com propriedades funcionais reais e que pudesse atender tanto consumidores que evitam lácteos por opção quanto aqueles com restrições como intolerância à lactose ou alergia à proteína do leite”, explica a pesquisadora Selene Benevides, da Embrapa Agroindústria Tropical (CE), responsável pelo projeto de desenvolvimento do análogo a queijo.
Ao utilizar amêndoas quebradas, menos valorizadas comercialmente embora apresentem o mesmo valor nutricional das inteiras, os pesquisadores agregam valor a um coproduto do beneficiamento e ampliam alternativas para uma cadeia produtiva estratégica no Nordeste.
Ensaios laboratoriais do análogo a queijo apontaram teores adequados de frutooligossacarídeos FOS (a fibra prebiótica), estabilidade microbiológica e número de células viáveis de Bifidobacterium durante o estudo de 45 dias de armazenamento. O produto apresentou bons resultados em testes sensoriais realizados com consumidores, com média 7 para aceitação global, equivalente a “gostei”. Para a intenção de compra, a média obtida ficou entre 4 e 5, equivalente a “provavelmente compraria” e “certamente compraria”, respectivamente.
O análogo a queijo simbiótico passou por ampliação de escala de produção e validação industrial em indústria de produtos plant-based. Estão em execução, em parceria com a Universidade de Fortaleza (Unifor), ensaios clínicos com seres humanos para avaliar a funcionalidade do produto.
O pesquisador Nédio Jair Wurlitzer, que atua no Laboratório de Processos Agroindustriais da Embrapa Agroindústria Tropical, salienta que a inovação é uma resposta a tendências de consumo e hábitos alimentares. “O consumidor busca produtos que, além da nutrição, ofereçam benefícios reais à saúde. Isso nos impulsiona a desenvolver novas formulações e a requalificar recursos já existentes, como a amêndoa de castanha de caju quebrada”, avalia.

