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Pesquisadores descobrem gene do amendoim silvestre capaz de ativar defesa de plantas cultivadas contra pragas e a seca

🕔21.jan 2026

É uma abordagem inédita, baseada em espécies nativas da América do Sul, que amplia as possibilidades de melhoramento genético, unindo conhecimentos ancestrais a tecnologias de ponta. Um dos genes descoberto pelos pesquisadores da Embrapa, é o AdEXLB8, isolado de Arachis duranensis, uma das espécies silvestres ancestrais do amendoim cultivado. Os estudos revelaram que a inserção desse gene promove mecanismos de defesa que podem contribuir para o enfrentamento de diversos desafios da agricultura, como seca, nematoides e fungos.

A originalidade da pesquisa foi mostrar que esse gene não confere resistência de forma direta, mas ativa um mecanismo conhecido como priming de defesa. “Quando a planta produz essa proteína constantemente, ela age como se estivesse sendo atacada por um patógeno ou se encontrasse sob um estresse ambiental. Assim, ela passa a viver em um estado de alerta permanente. Fazendo um paralelo com seres humanos, é como se estivéssemos com a adrenalina sempre pronta para uma resposta de “luta ou fuga”, mas sem gastar energia demais”, explica Ana Brasileiro, pesquisadora da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, que liderou os estudos.

O resultado foi claro: plantas de tabaco, soja, e amendoim contendo este gene exibiram maior tolerância à seca, resistência aos nematoides-das-galhas (Meloidogyne spp.) ou maior tolerância a doenças causadas por fungos, como Sclerotinia sclerotiorum. Em raízes nas quais o gene AdEXLB8 foi superexpressado, a infecção por nematoides chegou a ser reduzida em 60%. Tudo isso sem alterações na produtividade ou na qualidade do produto final.

A jornada da pesquisa começou com a constatação de que espécies silvestres de Arachis exibiam maior rusticidade, resiliência e tolerância a condições ambientais adversas, como seca e salinidade. O material, que é coletado e preservado pela Embrapa, em um programa de conservação liderado pelo pesquisador José Valls, também apresentou resistência natural a diversos agentes causadores de doenças, incluindo fungos e nematoides. Essas características de sobrevivência foram adquiridas ao longo de milhares de anos de evolução, em diferentes ecossistemas sujeitos a múltiplos estresses bióticos (causados por outros organismos vivos, como pragas) e abióticos (causados por fatores ambientais).

O processo evolutivo resultou em espécies silvestres mais adaptadas, capazes de suportar ambientes desafiadores, tornando-se fontes valiosas de genes de interesse para o melhoramento genético, à pesquisa e à agricultura. Foi nesse contexto que a pesquisadora Patricia Messemberg coordenou, nos anos 2000, o trabalho de caracterização molecular dessas espécies, com o objetivo de explorar seu potencial para o desenvolvimento de cultivares de amendoim mais resistentes e adaptados.

“Várias dessas espécies silvestres de amendoim têm características de rusticidade que foram perdidas durante o processo de domesticação e não estão mais presentes no amendoim cultivado. O nosso trabalho é explorar essa biodiversidade e transformar esse potencial em soluções para a agricultura”, pontua Messemberg.

 

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