Pesquisadores descobrem árvores de uma palmeira considerada extinta no Brasil
A palmeira Trithrinax schizophylla, conhecida como carandilla, considerada extinta no Brasil, foi encontrada por pesquisadores da Embrapa Pantanal (MS) e da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, na região do chaco, no Município de Porto Murtinho, no sudoeste de Mato Grosso do Sul. Trata-se do primeiro registro comprovado da espécie no País.
A carandilla se parece com a carandá, palmeira maior e que já é utilizada no paisagismo urbano de Corumbá e de Campo Grande (MS). A copa das duas palmeiras é arredondada e as folhas palmadas. A carandá é uma planta típica do Chaco, ou seja, ocorre em maior abundância nesse ecossistema. Porém, ela também é encontrada em outras áreas no Pantanal, em solos salinos inundáveis. Às vezes as duas espécies ocorrem juntas, mas a diferença mais notável é que a carandilla pode crescer em touceiras e a carandá, não. Também são consideradas típicas do Chaco a canjiquinha, o castelo, a aromita, a mangava-brava, o labão, a barriguda, o olho-de-boi e o quebracho.
A equipe que encontrou o material foi formada pelo pesquisador Walfrido Tomás, da Embrapa Pantanal, o bolsista André Restel Camilo e o ornitólogo Alessandro Pacheco Nunes, da UFMS. Posteriormente, a equipe retornou à região acompanhada da bolsista Marcelle Aiza e da professora Iria Hiromi Ishii, do campus de Corumbá da Universidade. O material foi coletado, identificado, fotografado e depositado nos Herbários COR, da UFMS, e CPAP, da Embrapa Pantanal.
“Por se tratar de um ecossistema único, como o Cerrado e outras ecorregiões brasileiras, o Chaco possui muitas espécies raras e ameaçadas. Restam apenas 13% de sua composição florestal original na região de Porto Murtinho e, em melhor situação, está sua vegetação inundável”, afirma Tomás. Os pesquisadores sugeriram que essa palmeira integre a Lista Brasileira de Espécies Ameaçadas na categoria “criticamente em perigo”, em função do pequeno número de exemplares que restaram em território nacional, a fim de promover a proteção da espécie.

