Nordeste Rural | Homepage


Pesquisadores criam o Jardim Clonal para fortalecer o cultivo de pimenta-do-reino no Pará

🕔29.out 2025

A produção sustentável de pimenta-do-reino no estado do Pará ganha um novo aliado: o jardim clonal de gliricídia para produção de tutor vivo. A Embrapa acaba de lançar um Comunicado Técnico sobre essa tecnologia, que estará nas vitrines da AgriZone, a casa da Agricultura Sustentável Brasileira na COP30, de 10 a 21 de novembro, na sede da Embrapa Amazônia Oriental, em Belém-PA.

De acordo com João Paulo Both, analista da Embrapa Amazônia Oriental, o jardim clonal para a propagação de estacas de gliricídia atende a uma demanda latente dos pipericultores do estado do Pará.  “Essa tecnologia responde à crescente demanda por estacas de gliricídia, impulsionada pela boa valorização da pimenta e a consequente expansão das lavouras”, afirma.

A gliricídia (Gliricidia sepium L.)  é uma árvore leguminosa utilizada como suporte para o crescimento (tutor vivo) da pimenteira-do-reino em substituição aos tradicionais estacões de madeira (tutor morto). O uso dessa planta como tutor vivo traz inúmeros benefícios, como a diminuição dos custos de implantação da lavoura, o aumento da longevidade dos pimentais, a promoção de conforto térmico para o agricultor, a melhoria da qualidade do solo e da pimenta produzida e a redução drástica do impacto ambiental.

O sistema de produção de pimenta-do-reino cultivada em gliricídia contribui para o sequestro de CO², ajudando a reduzir a concentraçao de gases de efeito estufa na atmosfera.

O Pará é o segundo maior produtor de pimenta-do-reino no país, com uma produção de 38.102 toneladas em 2023, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em uma área de cerca de 18 mil hectares.

Com as recomendações da tecnologia, estima-se que em uma área de 1 hectare, com o espaçamento de 2 x 1,5 metros (3.333 plantas), é possível obter no mínimo 13.332 estacas de tutor vivo, com um corte inicial após 24 meses. “Cada planta no jardim clonal produz no mínimo quatro estacas”, afirma Both. Ele acrescenta ainda que a técnica dispensa a adição de adubos durante o cultivo, sendo necessária apenas a adubação fosfatada na cova de plantio.

“A tecnologia promove benefícios ambientais cruciais: permite que os produtores obtenham estacas cultivando árvores em vez de cortar árvores nativas, o que é uma prática ilegal e um crime ambiental,” afirma Oriel Lemos, pesquisador da Embrapa Amazônia Oriental. Ela promove também,  continua o especialista, a conservação de recursos florestais uma vez que o tutor vivo diminui a dependência de madeira comercial para os estacões e consequentemente a manutenção da biodiversidade local.

 

CITEquin - Hospital do Cavalo, Paudalho-PE