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Seleção genética pode oferecer carne bovina mais macia

🕔16.mar 2026

articleA pesquisa seleciona genes relacionados à maciez, suculência e outras qualidades da carne. O que os pesquisadores querem oferecer é um conjunto de marcadores moleculares que permita ao pecuarista a seleção precoce de bovinos com as características desejadas pelo consumidor, tais como cor, suculência, valor nutricional, teor de gordura e, principalmente, maciez da carne. Desde 2006, a Embrapa, universidades e instituições parceiras buscam estratégias para melhorar a qualidade da carne bovina no Brasil a partir do uso de genética.

Para conhecer o potencial de um animal, os pesquisadores fizeram o que se chama de análise de associação genômica ampla, na qual é possível identificar as posições do genoma que afetam a qualidade da carne para cada característica desejada. “Quanto à maciez, por exemplo, foram avaliados 29 pares de cromossomos do boi e identificadas regiões importantes para esse atributo. Avaliamos a maciez em três momentos: logo após o abate e depois de sete e 14 dias de maturação da carne”, explica a pesquisadora Luciana Regitano, da Embrapa Pecuária Sudeste. A ideia é que, com as informações coletadas e associadas a novos estudos, seja possível disponibilizar um conjunto de marcadores moleculares e, assim, selecionar animais que serão usados para reprodução de descendentes com as características de interesse do pecuarista.

Os marcadores são trechos do DNA responsáveis por determinados atributos herdáveis e que diferenciam os indivíduos. Conhecendo-se seus efeitos sobre as características de qualidade da carne, desenvolve-se um teste de DNA que permite prever se um touro jovem tem potencial para melhorar a qualidade da carne nos seus filhos, acelerando e aumentando a eficiência do processo de seleção. Com o uso de marcadores reduz-se o tempo para se chegar a animais produtores de carne de qualidade e o custo de testar muitos touros. “No processo tradicional, por exemplo, o criador levaria tourinhos para reprodução e precisaria esperar a avaliação dos filhos para saber se eles teriam boa qualidade de carne, já que para a avaliação dessa característica é necessário abater o animal. Ou seja, a seleção do reprodutor é feita com base na avaliação dos descendentes. Com os marcadores, é possível saber de antemão se o touro tem potencial genético para maciez de carne, por exemplo. Dessa forma, ao invés de multiplicar uma grande variedade de touros de potencial desconhecido, intensifica-se o uso dos mais promissores”, ressalta Luciana Regitano.

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