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Pequenas vespas fazem o controle de uma nova praga que ataca as uvas no Vale do São Francisco

🕔16.nov 2016

praga-da-uva-traca-da-videiraJá é uma nova praga dos parreirais no Nordeste brasileiro: traça-da-videira. Ela surgiu em 1983 no município de Brusque, Estado de Santa Catarina, e sem relação alguma com infestação ou dano econômico em áreas de produção. Mas no segundo semestre de 2015, após relatos de larvas causando danos extensos às flores e bagas de uva, a ponto de causar perdas de produção equivalentes a U$ 5150/ha, foi novamente identificada em uma propriedades de Lagoa Grande, interior de Pernambuco.

Como apareceu nessa condição de praga no ambiente quente e seco de Pernambuco ainda é uma incógnita para o pesquisador Tiago Costa Lima, da Embrapa Semiárido. Da mesma forma que é incerto o período que se instalou na região e começou a infestar as parreiras.

A boa notícia, contudo, é a pesquisa ter definido uma rápida resposta de tratamento para controle, com base no manejo integrado de práticas culturais, aplicação de produtos químicos e, principalmente, o uso do controle biológico: uma pequena vespa (parasitoide), de nome Trichogramma, liberada no parreiral.

Nos testes controlados no Laboratório de Entomologia da Embrapa Semiárdo, Tiago observou que o Trichogramma conseguia parasitar os ovos da praga. Com cinco dias, esses ovos adquirem cor escura e, aos 10-11 dias, ao invés de eclodir uma lagarta, emerge um novo parasitóide.

Em campo, o resultado foi mais assertivo: com a liberação dessa vespa nos parreirais afetados, o pesquisador detectou uma redução de 62% de lagartas da traça-da-videira e, também, de 60% da traça-dos-cachos em relação às áreas não submetidas a este tratamento. Ou seja: acertou dois alvos de uma cajadada só, como diz o ditado popular. Esta última é uma espécie já bastante disseminada nos parreirais da região, sobretudo aqueles de cultivares para uva de vinho.

CITEquin - Hospital do Cavalo, Paudalho-PE