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Parecia impossível mas os cientistas estão conseguindo armazenar o aroma das flores

🕔05.jan 2017

flores-captacao-do-aromaEles desenvolveram um sistema que aspira os compostos voláteis liberados pela planta no meio ambiente e os mantêm estáveis em uma matriz adsorvente capaz de fixar as moléculas. Com o uso do método, é possível preservar os compostos como se apresentam na natureza por até uma semana, o que permite o transporte para o laboratório onde são realizadas as análises. O método convencional exige a retirada da inflorescência ou parte da planta que contém o composto e seu transporte para o laboratório em baixa temperatura.

O trabalho foi realizado pelos pesquisadores da Embrapa que conseguiram capturar o aroma das inflorescências do dendezeiro sem precisar levar amostras da planta para o laboratório. Os pesquisadores coletaram compostos voláteis de dendezeiros no Município de Rio Preto da Eva (AM), utilizando a nova tecnologia, e os levaram para o Laboratório Multiusuário de Química de Produtos Naturais, na Embrapa Agroindústria Tropical em Fortaleza (CE) a 2,4 mil km de distância. “Jamais seria possível cortar as inflorescências e levá-las no gelo para o laboratório. Não teríamos o mesmo resultado depois de tanto tempo. As substâncias não seriam as mesmas liberadas pela planta viva, nas condições em que atraem polinizadores na natureza”, explica o pesquisador da Embrapa Guilherme Zocolo que desenvolveu a metodologia de coleta.

O método não destrutivo adapta tecnologias para uso em condições não controladas, como fazendas e florestas. Abre também uma série de possibilidades de aplicações em pesquisa não só no monitoramento da produção de substâncias que atraem polinizadores para as plantas com fins agrícolas ou ecológicos, como também na análise de compostos que atraem ou repelem insetos-praga; no diagnóstico de doenças de plantas e animais bem como no controle de qualidade de matérias-primas/insumos vegetais e animais com base no perfil de voláteis. Outra vantagem é que o método não danifica a fonte dos compostos voláteis. No caso do dendezeiro, o corte das inflorescências favoreceria a contaminação por doenças e o ataque de pragas existentes na região.

O sistema funciona com o uso de uma pequena bomba de sucção acoplada a uma matriz adsorvente que preserva os compostos. A atmosfera a ser analisada é coberta com um saco plástico, no qual é introduzido o coletor acoplado à bomba de sucção. O conjunto de equipamentos é alimentado por uma pequena bateria, leve e fácil de transportar, que dá autonomia de trabalho por alguns dias. O sistema é de fácil manuseio. Nos testes, operários rurais foram treinados com facilidade para coletar amostras. Outra vantagem é o baixo custo do equipamento. “Aproveitamos utensílios já existentes no mercado e desenvolvemos um novo uso para eles”, revela o pesquisador Guilherme Zocolo.

 

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